Portugal abre o concurso para eletrificar a linha de comboio entre Viana e Valença
O Eixo Atlântico aplaude este anúncio e recorda a necessidade da saída sul de Vigo
O Governo português acaba de abrir o concurso para a obra pública de eletrificação do troço entre Viana do Castelo e Valença, com um orçamento de 23 milhões de euros.
Com este concurso Portugal cumprirá o objetivo de que em 2019 possa circular um comboio Alfa Pendular entre Valença e Lisboa assim como reduzir sensivelmente os tempos do trajeto Vigo-Porto.
A abertura do concurso foi apresentada esta sexta, dia 17, na estação de Valença, com a presença do ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, assim como autarcas de ambos os lados da fronteira e o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao.
Segundo explicou Pedro Marques, as obras de eletrificação deste troço, de cerca de 49 quilómetros, completam toda a linha férrea entre o Porto e a fronteira com Espanha. No território espanhol ficam pendentes cerca de cinco quilómetros entre a fronteira a localidade de Guillarei, em Tui.
Pedro Marques salientou que, contando com o investimento deste troço confirmado na passada sexta-feira, o governo luso destinou mais de 83 milhões de euros (cofinanciados com fundos europeus) para a modernização desta linha férrea. "São trabalhos muito complexos, mas reclamados durante décadas", realçou, e valorizou a "luta" dos autarcas e dirigentes locais para alcançar esta infraestrutura estratégica no desenvolvimento de setores como a automação ou para o porto de Leixões.
Saída sul de Vigo
Por seu lado, o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, destacou o esforço do governo português em cumprir os seus compromissos em matéria de modernização, tanto da linha do Minho como da chamada 'linha do Norte' (Lisboa-Porto). Segundo admitiu, a eletrificação até à fronteira com Espanha irá traduzir-se numa melhoria significativa nos tempos de viagem, em matéria de segurança e conforto, e não só. Não obstante, e apesar do anúncio de que se completará a eletrificação entre a fronteira e Tui, advertiu de que "não chega". A alternativa definitiva passa pela saída sul de Vigo", indicou, explicando que essa saída, desde a nova estação do AVE da cidade, e cujo custo se estima em cerca de 450 milhões, implicaria a construção de um novo traçado até à fronteira com Valença (cerca de 30 quilómetros). Assim, segundo referiu, seriam resolvidos os problemas do traçado atual, entre eles, a passagem pelo centro urbano de O Porriño. A linha atual poderia converter-se, segundo propõe o Eixo Atlântico, numa linha de "metrorail" para dar serviço a municípios da área metropolitana, com apeadeiros em diferentes localidades e parques industriais.