Sustentabilidade e transportes estiveram em debate , na Universidade do Minho, no âmbito do evento ‘Greenfest’. Transporte público foi destacado como essencial para o pacto climático
Autoridade Intermunicipal de Transportes do Cávado registou um total de 2,5 milhões de passageiros transportados este ano na rede ‘Cávado Mobilidade’, revelou ontem o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado. Na palestra ‘Ligar Braga à Europa para o Clima - Acção Local sobre Mobilidade Sustentável’, que decorreu na Universidade do Minho, no âmbito do ‘Greenfest’, Rafael Amorim deu nota do aumento na ordem dos 45% da procura do transporte público de passageiros nesta sub-região, desde que o serviço foi assumido pela CIM em Janeiro de 2023
A passagem de nove para apenas um operador público de transporte colectivo reflectiu-se também num aumento de 13% dos passes mensais vendidos entre Janeiro e Setembro deste ano, em comparação com período homólogo de 2023.
Num debate que contou também com as participações do presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, e do secretário-geral da Associação do Eixo Atlântico, Xoán Vásquez Mao, foram abordados os esforços locais ao nível da mobilidade para cumprimento dos objectivos do Pacto Climático, nomeadadamente o da redução das emissões dos gases com efeito de estufa.
A propósito, o secretário-geral do Eixo Atlântico defendeu que “a solução para a mobilidade urbana sustentável não é o carro eléctrico, é não utilizar o carro”, considerando essencial “uma mudança de atitude e de hábitos” que leve a um maior uso de modos suaves e do transporte público.
Xóan Mao criticou as concessões de transporte público em regime de monopólio e defendeu que este serviço deve ter custos para os utilizadores de acordo com os rendimentos destes.
O transporte público não é sustentável, porque o seu custo tem em atenção quem tem menos rendimentos, alegou o secretário-geral do Eixo Atlântico, sugerindo que os sistemas de transporte têm de ter em conta o “metabolismo urbano”, ou seja, as necessidades de suporte ao dia a dia dos seus residentes.
O presidente da Câmara Municipal de Braga apontou, por seu lado, o propósito da autarquia de prosseguir, até 2026, o processo de renovação dos Transportes Urbanos de Braga com viaturas amigas do ambiente, bem como a promoção de modos suaves, nomeadamente da bicicleta.
Ricardo Rio apontou o BRT (Bus Rapid Transit) como projecto essencial para a melhoria das condições de mobilidade na cidade de Braga, esperando que as obras da sua primeira linha se iniciem em 2025, decorrendo actualmente o concurso público para a elaboração do respectivo estudo prévio.
Na palestra de ontem, Ricardo Rio defendeu a ideia de que a grande transformação da mobilidade passará pela ‘mobility as a serviçe’, um conceito que se concretizará, entre outras possibilidades, pelo aluguer temporário de viaturas através de assinatura.