Ricardo Rio, presidente do Eixo Atlântico, economista e Presidente da Câmara Municipal de Braga, e o economista e ex-presidente da Xunta de Galicia, Fernando González Laxe, salientam a influência positiva da “convergência” económica na Euro-região e analisam o impacto da pandemia do coronavírus e as perspetivas futuras
26 de fevereiro de 2021. O Produto Interno Bruto (PIB) da Euro-região Galiza-Norte de Portugal cresceu 156% entre 2001 e 2017, três pontos percentuais acima do crescimento do PIB do conjunto da União Europeia, dez pontos acima da Região Norte portuguesa e cerca de treze acima do total de Portugal. Ricardo Rio, presidente do Eixo Atlântico, economista e Presidente da Câmara Municipal de Braga, e o economista e ex-presidente da Xunta de Galicia, Fernando González Laxe, salientam a influência positiva da “convergência” económica na Euro-região e analisam o impacto da pandemia do coronavírus e as perspetivas futuras.
“O resultado é extraordinário, traduzindo uma convergência real para a média da União Europeia”, avalia Rio, que no entanto encontra nestas estatísticas “uma dicotomia que deve ser retificada”, tendo em conta que, “se é certo que quer a Galiza quer o Norte de Portugal, apresentam crescimentos superiores aos seus países, a diferença é abissal quando se compara o crescimento entre ambas as regiões vizinhas”. Rio destaca que, nesse período, a Região Norte posicionou-se como uma das regiões com menor nível de produto per capita do estado como um todo. “A Galiza e o Norte de Portugal complementam-se, tal como partilham vetores de desenvolvimento diferenciadores que podem sustentar um crescimento mais acelerado no futuro, desde que devidamente potenciado por políticas de investimento em infraestruturas orientadas para a competitividade e a coesão”, afirma.
Na mesma linha, González Laxe, observa uma “convergência económica por parte das regiões menos desenvolvidas em relação à média comunitária” na evolução do PIB da Euro-região. “É produzido a partir do aumento do grau de abertura das economias periféricas e da ascensão de determinadas atividades que promoveram o encadeamento das taxas positivas de crescimento, e também, por vezes, das médias estatais”, argumenta.
O impacto da pandemia na economia da Euro-região
O impacto económico da crise do coronavírus foi sentido em todas as economias do mundo, e o da Euro-região Galiza-Norte de Portugal não foi exceção. González Laxe relaciona os efeitos da pandemia às medidas locais implementadas pelos governos e administrações públicas “que afetam as restrições à mobilidade e a redução da atividade industrial e dos serviços normais, e também a interrupção das cadeias globais de abastecimento”.
“A incerteza fez com que registássemos menos atividade económica, uma queda nas empresas (taxa de mortalidade superior à taxa de natalidade empresarial), diminuição do consumo das famílias e diminuição dos investimentos”, explica Laxe, que prevê que “o tempo até chegar ou voltar à normalidade será em função da maior percentagem de vacinação”. “Daí a necessidade de implementar políticas reativas de curto prazo que promovam a resiliência e políticas proativas que promovam a adaptabilidade e facilitem a recuperação, renovação e reorientação do tecido produtivo”, salienta.
Ricardo Rio sublinha a necessidade de adaptação da Euro-região, onde acredita que a crise terá “um efeito transformador das realidades económicas, sendo particularmente penalizadora para determinados setores de atividade, mas abrindo várias oportunidades para outras áreas de negócio”. Rio acredita que esse facto “deverá ser encarado e assumido por todos como uma oportunidade, não como uma ameaça”. “Deveremos saber adaptar-nos a este processo de transformação e aproveitar os fatores naturais, que estão a nosso favor, para assumirmos de forma resiliente e perentória um crescimento económico e de recuperação célere. Aliás, se pensarmos que alguns dos setores mais afetados com esta crise se relacionam com a nossa estrutura comercial, o setor do turismo, a restauração e a hotelaria, estou em crer que a sua capacidade de regeneração será muito vincada, e isto permite antecipar que a nossa recuperação, desde que feita de forma coesa e concertada, deverá ocorrer de forma mais rápida do que em grande parte dos países e das regiões da Europa”, explica o presidente do Eixo Atlântico.
Será que o PIB da Euro-região irá recuperar antes de o do conjunto da UE? Para Rio, se considerarmos "apenas os fatores que incidem no comportamento dos agentes económicos locais e decisores em cada região", a Euro-região terá "todas as condições para recuperar o PIB mais rapidamente", e faz referência ao seu "enorme potencial" para sustentar “uma recuperação económica acelerada”. Sobre o horizonte das ajudas económicas, acrescenta que a área “terá de ser também um destino para a implementação de projetos e a alocação dos fundos inerentes aos Planos Nacionais de Recuperação e Resiliência, em linha com as ambições dos cidadãos e com a representatividade destes territórios”. Fernando González Laxe, por sua vez, destaca a “capacidade de resiliência que cada região possui”, mas também e “sobretudo, as iniciativas em prol da reorientação do tecido produtivo (melhorando a produtividade), incentivando o conhecimento (para melhorar a competitividade) e facilitando os instrumentos que simplificam os procedimentos administrativos”, conclui Laxe.