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O projeto EPICAH analisou o Turismo como ferramenta de desenvolvimento conjunto da fronteira luso-espanhola

O projeto EPICAH analisou o Turismo como ferramenta de desenvolvimento conjunto da fronteira luso-espanhola

Produto do projeto EPICAH, financiado pelo Interreg Europa, o seminário organizado pelo Eixo Atlântico que teve lugar em Maia, centrou-se no papel do turismo como sector chave e oportunidade de recuperação económica e fixação populacional no território e, portanto, na conveniência de ser considerado uma prioridade para o próximo programa de cooperação transfronteiriça Espanha-Portugal

Como muitos oradores afirmaram, o seminário organizado pelo Eixo Atlântico não foi apenas mais uma jornada, mas um debate amplo e partilhado sobre um dos melhores programas de cooperação transfronteiriça na Europa. Um debate que, além disso, surgiu num contexto de recuperação e da intenção de valorizar a fronteira.

O turismo é um setor que tem sido duramente atingido pela covid-19. É um setor motor da economia que precisa de ser relançado no próximo período 2021-2027. Neste contexto, o próximo POCTEP deverá ser um instrumento essencial para promover o desenvolvimento económico, social e territorial harmonioso entre Espanha e Portugal, e em particular o território fronteiriço que ambos partilham. Porque a cooperação se baseia nos territórios, a redução as assimetrias locais, mas, sobretudo, na melhoria do bem-estar dos cidadãos. Por isso o POCTEP, que é a ferramenta mais importante que a fronteira tem para a sua dinamização, deve centrar-se em aprofundar na proximidade cultural e em reforçar o importante património natural que existe no território.

O seminário teve uma forte componente analítica sobre como o POCTEP atualmente em vigor tem apoiado e continua a apoiar o turismo e todos os sectores a ele ligados. Mas também teve a oportunidade de olhar para o futuro, para o POCTEP 21-27, que se concentrará em alcançar um território mais verde, mais social e mais próximo do território dos cidadãos.

Os tempos mudaram. A crise económica e a pandemia têm vindo a mudar o cenário em que temos de agir. O tempo de falar de cooperação transfronteiriça já passou. Agora é tempo de falar sobre desenvolvimento local conjunto, especialização de organizações e como assegurar que todos os tipos de entidades possam contribuir, de forma complementar, para a construção do território.

O POCTEP é um dos programas de cooperação mais avançados, agora a questão é como dar o passo em frente. Como passar da estratégia aos produtos concretos e como capitalizar e aproveitar ao máximo todo o investimento, de recursos e esforços feitos até agora. Por este motivo, uma das principais mensagens lançadas é que deve ser necessário garantir, no próximo período, a existência de estratégias prévias apoiem as ações propostas. Estratégias, por outro lado, que devem ser partilhadas por todo o território, considerando-o como um todo, e não apenas duas metades; promover o território fronteiriço como uma oferta única, mais forte, mais atrativa e competitiva.

Como foi salientado na mesa de encerramento do seminário: "as crises aumentam as oportunidades". É por isso que devemos ver o turismo como um sector de paz, capaz de fazer trabalhar em conjunto todos os atores envolvidos no mesmo, capaz de alinhar posições, de fixar a população e de dar visibilidade e novas oportunidades ao território. Com isto em mente, é tempo de começar a trabalhar para que a intenção declarada de promover o turismo sustentável, o turismo natural, o turismo baseado no património cultural e o turismo de proximidade não permaneça apenas conversa.

O turismo aproxima os nossos territórios através das fronteiras. É necessário construir uma marca comum que sustente uma forte oferta turística no território fronteiriço. É tempo de dar uma narrativa à multiplicidade de recursos patrimoniais e culturais existentes no território, para que rotas e produtos possam ser criados e promovidos conjuntamente.

Trabalhar em conjunto de forma coordenada e unida é a chave, tanto para o desenvolvimento do turismo como para o futuro POCTEP.