O Eixo Atlântico celebrou o primeiro Seminário de Intercâmbio de Experiências no âmbito do Termalismo
Na sessão, coorganizada pela Câmara Municipal de Vizela, cidade onde se realizou, e pela entidade transfronteiriça, foram apresentados projetos sobre turismo termal e de saúde
9 cidades, as Diputaciones de Ourense e de Lugo, e a entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal, participaram no Seminário de Intercâmbio de Experiências (SIE) no âmbito do Termalismo celebrado na Casa da Cultura Joaquim da Costa Chicória em Vizela.
O presidente da Câmara Municipal de Vizela, Victor Hugo Salgado, agradeceu a oportunidade de receber o SIE e recordou a importância da tradição termal vizelense uma vez que as suas termas influenciaram no desenvolvimento da cidade.
José Manuel Baltar, presidente do Fórum Termal e presidente da Deputación de Ourense, afirmou que o termalismo é uma ferramenta fundamental para os territórios na luta contra o desafio demográfico, sobretudo nos municípios rurais, onde deve servir como motor de desenvolvimento social e económico. Defendeu que a Eurorregião Galiza-Norte de Portugal é o território com maior potencial termal da Europa, afirmando que esta vantagem competitiva sobre outros territórios deve ser o elemento estruturante para o turismo de fronteira.

Neste sentido, Pedro Cantista, da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e past president da International Society of Medical Hydrology falou da perspetiva do termalismo enquanto fenómeno de saúde e realçou que deve ser feita a distinção entre o que são tratamentos médicos realizados com as águas termais e os que são tratamentos de SPA ou talassoterapia, considerando que a definição desta fronteira é fundamental para orientar os utentes. Cantista salientou ainda a importância da criação das ISO (normas de estandardização) para definir diretrizes de utilização, baseadas em investigação científica.
No painel que abordou a ISO de Serviços de Turismo de Saúde, Noelia Santos, Diretora de Formação do Instituto para a Qualidade Turística Espanhola (ICTE), explicou o processo de criação da norma ISO/DIS 2252 referente ao Turismo Médico, destacando que a norma é uma ferramenta de referência, que visa a melhoria dos serviços para o paciente e também diferenciar positivamente as organizações que apostem pela qualidade.
Por sua vez, João Barbosa, Secretário-geral da Associação das Termas de Portugal, explicou a importância da criação da norma ISO 228 Medical Spa Services e assegurou que esta norma é relevante para o desenvolvimento e a qualidade dos serviços termais em Portugal, pelo que em 2023, já se poderão iniciar os processos de certificação, uma vez que se prevê que a norma esteja traduzida e publicada em dezembro deste ano. Também referiu que esta norma não se aplica a decisões médicas nem a estabelecimentos de SPA ou talassoterapia e explicou que, devido à diversidade cultural dos vários países que integraram a criação desta norma, foi necessário encontrar denominadores comuns para que a norma possa ser utilizada por todos.
Fruto do debate, foi ainda esclarecido pelos oradores deste painel que uma das características das normas ISO, é a possibilidade de as atualizar e melhorar, sendo que para isso, deve ser solicitada a revisão após 5 anos da publicação da norma.
Emma Gonzaléz, gerente de Inorde, apresentou o Plano de Sustentabilidade Turística da Deputación de Ourense, destacando as termas como um dos ativos do seu desenvolvimento turístico sustentável e assinalando que existem várias atividades associadas ao termalismo que promovem o desenvolvimento local e, ainda, que o turismo está a crescer exponencialmente devido à chegada do AVE à cidade de Ourense.
Já Pablo Rivera, Deputado da Deputación de Lugo, deu a conhecer o projeto “Lugotermal: O envelhecimento ativo, uma oportunidade para o território”, destacando que com esta iniciativa pretendem oferecer descontos aos lucenses com mais de 50 anos de idade para que possam utilizar as estâncias termais. Desde 2012 que têm atribuído mais de 1000 lugares todos os anos. Refere ainda que se trata de um projeto de promoção da autonomia pessoal e envelhecimento ativo e que dinamiza a economia através do turismo de proximidade.
Ao longo do Seminário, os municípios presentes defenderam que o impacto do Termalismo vai mais além do desenvolvimento de atividades de turismo, pois contribui também para a coesão social e para o desenvolvimento local e sustentável. No entanto, ainda há muito trabalho a fazer, pelo que Pedro Cantista defendeu a importância da gestão das áreas de aquíferos termais para garantir a sua manutenção e utilização.
Neste seminário realçou-se a relação entre o turismo, a saúde e as termas, e que esta deve ser reforçada e promovida pelos vários agentes para garantir a sua continuidade. Garantir que o termalismo perdure em Portugal e Espanha, contrariamente ao que aconteceu em vários países da Europa, trará uma vantagem competitiva, ímpar e com qualidade para a Eurorregião Galiza-Norte de Portugal.
Este programa desenvolve no marco do projecto Hi_Experience cofinanciado pelo programa INTERREG V-A ESPANHA-PORTUGAL.

