O Eixo Atlântico analisa o Pacto Ecológico, o projeto mais ambicioso da União Europeia até 2050
O presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, considera que é uma oportunidade única para alinhar objetivos, esforços e políticas em todos os níveis de governança
29 de marzo de 2021.
O Green Deal é o projeto mais importante da União Europeia (UE), tanto pela sua dimensão como pela sua abrangência. É uma nova estratégia de crescimento baseada num ambicioso pacote de medidas que deverá permitir aos cidadãos europeus e às empresas beneficiarem de uma transição sustentável. O objetivo é tornar a Europa no primeiro continente neutro em carbono até 2050.
O presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, alerta que a implementação dessa agenda traz muitos desafios para as pessoas. “É uma oportunidade única para alinhar objetivos, esforços e políticas em todos os níveis de governança para fornecer resultados para os cidadãos de hoje e de amanhã”, afirma. “Por um lado, a curto prazo, pode trazer algum desconforto na transição para a mudança de hábitos mais sustentáveis. No entanto, por outro lado, o pacote financeiro de um bilião de euros de investimento é uma oportunidade e um incentivo para as empresas e consumidores aderirem a essa mudança”, refere.
O Eixo Atlântico realizou uma monografia sobre o Pacto Ecológico nos seus Cadernos de Cooperação onde nos oferece uma visão geral do que é, de quem depende, do que se propõe ou como vai ser levado a cabo. Além disso, inclui vários anexos sobre o plano de investimento para uma cultura sustentável, a lei do clima, os mecanismos de transição justa e o novo plano de economia circular.
Segundo a UE, as cidades sustentáveis são as cidades do futuro. Mas, como indica Ricardo Rio, para alcançá-las é necessário um investimento e um planeamento que não pode ser feito fora delas. “As cidades devem desempenhar papel central. Dados compilados pelo Eurostat revelam que, além de mais de 40% dos europeus viverem em cidades, a maior fatia das emissões de gases com efeito estufa acontecem em zonas densamente povoadas. Uma transição sustentável e eficaz para a Europa passa necessariamente por essas zonas e regiões”, afirma. “O sucesso desta implantação depende, sobretudo, de capacitar as cidades com os recursos necessários, sejam eles financeiros ou de outro género, para que os agentes locais possam enfrentar estes desafios no terreno. É uma oportunidade para as cidades legitimarem seu papel na construção destas políticas em áreas relevantes e cocriarem a definição dos instrumentos adequados, assim como a implementação da legislação da EU com os centros de decisão europeus. Precisamos de novas formas e mais eficazes de envolver os agentes e autoridades locais com resultados para os cidadãos da UE. Isto inclui um diálogo político institucional, numa abordagem sistemática, para aproveitar a inteligência local e explorar o diálogo cívico a nível da UE em colaboração com as cidades”, relata.
Um dos aspetos essenciais para alcançar esta Europa neutra para o clima reside na educação, que surge como a chave deste acordo verde. É assim que o entende o presidente do Eixo, que afirma que hoje a sociedade está muito mais atenta a estes problemas do que há vinte anos. “E acredito que esta consciência irá aumentar exatamente pela nova geração de pessoas e de cidadãos que ainda estão por chegar. A educação e a sensibilização são extremamente fundamentais para os cidadãos de hoje para que a geração futura tenha a possibilidade de viver numa Europa e num planeta neutro em carbono amanhã”, conclui.