Está imerso em uma reformulação da política económica e social das entidades locais que o integram, com a sustentabilidade, a inovação, a política social, o desenvolvimento económico, como eixos verticais e a política urbana como eixo transversal
11 de março de 2021. O Eixo Atlântico está imerso na adaptação da sua Agenda Urbana, a primeira transfronteiriça na Europa e aprovada pela Comissão Europeia, aos processos pós-Covid, através de uma reformulação da política económica e social das entidades locais que o integram, com a sustentabilidade, a inovação, a política social, o desenvolvimento económico, como eixos verticais e a política urbana como eixo transversal. Consciente da necessidade mas também da oportunidade de reformular as estratégias que a pandemia pressupõe, e de acordo com as conclusões da Conferência de Presidentes realizada no passado mês de setembro, em Pontevedra, a organização criou cinco comissões políticas para definir novas políticas em várias áreas: sustentabilidade, política urbana, política social, inovação, e economia.
“Se há algo de que ninguém dúvida, e é que nada será igual depois da pandemia. A digitalização, os novos hábitos de consumo cultural, o predomínio do comércio local (em contraste com o papel do comércio eletrónico), a importância da investigação e da saúde ou o reforço dos serviços públicos são algumas das lições que vão mudar o nosso horizonte imediato ”, afirma o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, que destaca a importância de as administrações se redefinirem e impulsionarem a digitalização, a mobilidade urbana, a gestão de resíduos, a eficiência energética, entre outras prioridades.
Da Conferência de Pontevedra concluiu-se que a pandemia se apresenta como uma oportunidade para mudar o modelo económico e social e introduzir a sustentabilidade nas políticas em geral. “Devemos renunciar a economia especulativa em prol de uma redistributiva e eliminar os vícios e perversões de um modelo laboral low cost para apostar na excelência, na qual somos muito mais competitivos. Também será necessário intervir no modelo social, o mais vulnerável pela crise, de forma a evitar que quem foi afetado pela pandemia seja excluído permanentemente do sistema. A sustentabilidade será outro dos aspetos determinantes, com especial destaque para a mobilidade e as indústrias não poluentes: não se trata de todos os automóveis serem elétricos, trata-se de conseguir que se deixe de recorrer ao veículo privado, colocando os serviços públicos próximos aos locais onde vivem os cidadãos, completando com uma boa rede de transportes públicos urbanos e interurbanos”, acrescentou o Secretário-geral.
A Agenda Urbana do Eixo Atlântico, com um trabalho de elaboração de dois anos onde também foi desenvolvido o seu plano de ação, constitui um poderoso instrumento de resiliência, baseado na análise e nas experiências da crise económica de 2008. Não inclui apenas uma análise detalhada da realidade socioeconómica e territorial, mas também das causas da crise e do seu impacto no território, para identificar as estratégias e medidas a desenvolver, tanto nas cidades como nas administrações que têm competências nelas.
De última geração e em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030, a Agenda Urbana do Eixo Atlântico já tinha começado a ser aplicada no contexto da recuperação da crise económica de 2008, com um plano de mobilidade urbana sustentável, um mapa da coesão social, estratégias para a captação de investimentos e fixação e captação de talentos ou para a promoção de novos conceitos como o turismo de fronteira e o turismo de autor. Com o impacto da pandemia, a agenda será adaptada ao novo contexto socioeconómico do sistema urbano da Euro-região da Galiza e Norte de Portugal.