O Conselho Estratégico do Eixo Atlântico reúne em Lugo líderes políticos e especialistas para promover a resiliência dos municípios face às crises globais
Os participantes analisaram os desafios atuais das cidades face aos conflitos bélicos, às transformações demográficas e à problemática da habitação, salientando o papel dos municípios na promoção ativa da paz e a necessidade de reduzir e simplificar a burocracia municipal para favorecer o investimento
O Conselho Estratégico do Eixo Atlântico, constituído em fevereiro durante a Assembleia Geral realizada na Corunha, reuniu-se em Lugo para analisar a situação atual decorrente dos conflitos bélicos na Ucrânia, em Gaza e no Irão, bem como as crises energética e económica que afetam os cidadãos e as suas cidades. 
O Conselho Estratégico refletiu sobre o contexto imediato e identificou linhas de ação que permitam fortalecer a resiliência das cidades e proteger os setores mais vulneráveis face à crise energética e da escalada dos preços.
O encontro realizou-se em Lugo, com o apoio de Miguel Fernández, presidente do Eixo Atlântico e presidente da Câmara da cidade, e com a participação de Luís Nobre, vice-presidente do Eixo Atlântico e presidente da Câmara de Viana do Castelo. O salão nobre da Câmara Municipal de Lugo acolheu ex-ministros portugueses como José Maria Costa e Arlindo Cunha; o ex-presidente da Xunta da Galiza, Fernando González Laxe; o ex-presidente da Federação Galega de Municípios e Províncias (FEGAMP), Alfredo García; para além de ex-autarcas como Severino Rodríguez e José Sánchez Bugallo. Estiveram também presentes especialistas como a professora Adelina Pinto, o ex-diretor da Agência de Ecologia Urbana de Barcelona, Francesc Cárdenas, e o ex-presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AdC) em Portugal, José Soeiro.
As cidades são a linha da frente da resposta às crises, como se demonstrou na pandemia e como está a acontecer, de forma menos mediática, na situação atual. São crises que não foram provocadas pelos gestores autárquicos nem pelos cidadãos; no entanto, são os gestores que necessitam de encontrar soluções e, na maioria das vezes, financiá-las com os seus próprios orçamentos, enquanto os cidadãos, sobretudo os mais vulneráveis, são os que sofrem as consequências.
A situação atual no mundo não inspira otimismo, por isso, as cidades precisam de prever as consequências das crises e prevenir os seus efeitos. É a isto que chamamos resiliência, e neste âmbito, redes de cidades como o Eixo Atlântico desempenham um papel determinante, que, através da massa crítica que gera (7 milhões de cidadãos, neste caso), consegue ativar mecanismos como o Conselho Estratégico, em que pessoas de prestígio e com uma elevada experiência profissional e política, de diferentes posições ideológicas, partilham conhecimentos e reflexões neste sentido: identificar linhas de ação e ativar estratégias que as cidades, individualmente ou em rede, possam desenvolver para fortalecer a sua resiliência e prevenir os efeitos mais negativos das crises.
Nesta primeira sessão, o Conselho Estratégico analisou a situação e a crise energética, bem como questões que afetam o desenvolvimento do território da Galiza-Norte de Portugal, como a maritimidade, o despovoamento e os incêndios florestais. Este debate terá continuidade numa segunda sessão, no próximo mês de julho, na cidade de Santa Maria da Feira.
Xoán Vázquez Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, destacou: “Enquanto outros permanecem em silêncio com uma subserviência repreensível a Trump e perdem tempo a lutar contra o governo central por razões partidárias, nós trabalhamos pelo futuro das cidades e dos seus cidadãos.”