Investimentos na ferrovia no Norte de Portugal e da Galiza estiveram em debate na última edição de ‘Hoje em Dia’, emissão conjunta da rádio Antena Minho e da Onda Cero Galiza
Carlos Fernandes, vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP) avançou, anteontem, que a futura ligação ferroviária de alta velocidade Porto-Vigo, com paragem em Braga, aproveitará os estudos informativos do traçado que esteve em avaliação ambiental em 2009 e que, entretanto, foi abandonado.
“Vamos actualizar esses estudos de engenharia e ambiental e voltar a submetê-los ao Ministério do Ambiente”, adiantou aquele responsável numa emissão conjunta das rádios Antena Minho e Onda Cero (Vigo) dedicada ao investimento em infraestruturas no Norte de Portugal e Galiza.
Os investimentos projectados na modernização da rede ferroviária estiveram em debate no programa ‘Hoje em Dia’, com o vice-presidente da IP a reconhecer que, “ao contrário de Espanha, Portugal, durante muitos anos, apostou muito na sua rede de estradas”, reconhecendo os decisores polticos, mais recentemente, “que o ferrocarril é um dos pilares do futuro da mobilidade”.
Sobre a futura ligação em alta velocidade entre Braga e Vigo, que implicará a construção de uma nova estação em Braga, Carlos Fernandes precisou que um novo atravessamento do rio Minho será construído a montante da actual ponte internacional de Valença.
Quando ao calendário de construção da nova via, o vice-presidente da IP avisou que o mesmo implica uma grande coordenação com os investimentos do lado galego, lembrando que, no passado, Portugal comprometeu-se em avançar com a alta velocidade entre Porto e Vigo e depois “recuou”.
Atualmente, “há compromisso político e estão a avançar os estudos” com o objectivo de ter a ligação de alta velocidade entre Braga e Vigo concluída até 2030.
Na emissão conjunta Antena Minho/Onda Cero, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, sustentou que a atual ligação Porto-Vigo, “é muito pouco competitiva e ainda pouco atrativa”, pelo que só com a nova linha de alta velocidade, que permitirá encurtar das duas horas e meia para uma hora o tempo de viagem, a mesma “será verdadeiramente diferenciadora e irá mobilizar utilizadores”.
Miguel Bugarín, da Universidade da Corunha, defendeu que a ferrovia representa “um novo paradigma da mobilidade de pessoas e mercadorias” na Europa, sendo reconhecida como “único meio de transporte que garante uma contribuição mínima para o aquecimento global”.
Para este especialista, “é essencial para a Galiza reforçar as conexões com Portugal”, o que passa pelo “reforço das infraestruturas de transporte”.
Lara Mendez, alcaldesa de Lugo e presidente da Associação do Eixo Atlântico, defendeu, por seu lado, que o investimento no transporte público, nomeadamente o ferroviário, tem de chegar a toda a euro região interior.
Ricardo Rio defendeu a mesma ideia, afirmando que as novas ligações por ferrovia entre as grandes cidades do Norte de Portugal e da Galiza e destas ao aeroporto Sá Carneiro, têm de “coser com a micromobilidade”, que, no caso de Braga, passará por ligações ‘metrobus’ com as cidades de Guimarães, Barcelos e Vila Nova de Famalicão.
Programa conjunto Antena Minho e Onda Cero Galicia (55 min):
Reacciones políticas (4 min):
Este programa de desenvolve no projeto C3D, cofinanciado por Interreg V-A Espanha Portugal (POCTEP).