Lugo organiza um ciclo sobre a romanização com especialistas da Galiza e de Portugal na programação da Capital da Cultura do Eixo Atlântico
Lara Méndez, presidente do Eixo Atlântico e presidente de Lugo, destaca a importância de debater sobre o passado comum e incide na necessidade de promover o Museo da Romanización de Galicia no Cuartel de San Fernando
O ciclo de conferências “Gallaecia: passado comum do Noroeste peninsular”, chega ao Vello Cárcere todas as terças feiras de maio, no âmbito da programação promovida pelo governo de Lara Méndez para a Capital da Cultura do Eixo Atlântico. Esta iniciativa reunirá reputados arqueólogos e especialistas para abordar a romanização em Lugo e no resto da Galiza e no norte de Portugal.
As diferentes regiões que compõem o noroeste peninsular compartilham muitas similitudes como as suas paisagens, o clima, a cultura, ou o carácter das suas gentes, entre outras. Este vínculo é fruto de um passado comum: a província romana de Gallaecia que, longe da fronteira internacional que hoje delimita Galiza e Portugal, uniu esse território sob o domínio do Império Romano.
Neste sentido, Lara Méndez explicou que “este ciclo de conferências pretende dar a conhecer esse passado partilhado para compreender melhor o nosso presente; por isso quisemos contar com os melhores conferencistas de toda a Galiza e Portugal, tais como Santiago Ferrer, Fermín Pérez Losada, ou Miguel Sopas de Melo Bandeira, entre outros”.
A autarca destacou a importância de partilhar conhecimentos e experiências com especialistas no processo da romanização, “e que estas reflexões se desenvolvam em Lugo, a cidade mais antiga da Galiza e que foi uma das principais urbes do noroeste peninsular, juntamente com Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga), nomeada capital do seu convento jurídico”.
Peças arqueológicas da Xunta, disseminadas
Por isso, Lara Méndez incidiu na necessidade de que Lugo acolha o Museu da Romanização da Galiza e do Noroeste Peninsular no Cuartel de San Fernando, tal e como estava previsto, pelo que uma vez mais reclamaremos à Xunta que cumpra com o seu compromisso e assim “poder proteger, cuidar, difundir e investigar o nosso passado romano, que é o que representam as mas de 1.500 peças arqueológicas propriedade da Xunta que estão distribuídas em numerosos centros lucenses, a grande parte em caixas, e mesmo em domicílios de arqueólogos”.
O primeiro dos debates será no dia 2 de maio, às 20:30 horas, no Vello Cárcere. Será abordado ‘A Cividade de Terroso e a Vila Mendo Estela, aspetos da Proto-História e Romanização do Litoral Minhoto’, onde intervirão os especialistas José Manuel Flores Gomes e Deolinda Maria Veloso, da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.
No dia 9 de maio, o especialista Tomás Vega Avelaira falará de ‘O exército e as obras públicas na Gallaecia romana’.