“Europa precisa de dar ainda mais prioridade ao problema do despovoamento do interior”
Programa especial do Eixo Atlântico, emitido em conjunto pela Rádio Antena Minho e Rádio Onda Cero Galícia, analisou a problemática do despovoamento e problema demográfico, partilhada pelos dois territórios da Eurorregião
O problema do despovoamento do interior da Galiza e Norte de Portugal esteve em análise no programa especial conjunto entre a Rádio Antena Minho e a Onda Cero Galícia, ‘Hoje em Dia/Hoy por Hoy’ - promovido pelo Eixo Atlântico - e conduzido por Rui Alberto Sequeira e Ángeles San Luís. Problemática partilhada pelos dois territórios, merece, segundo o secretário geral do Eixo Atlântico uma maior atenção por parte da Europa, por forma a combater “o problema de infra-estruturas, de mentalidade e problemas no território, que dificultam que as pessoas tenham facilidades para desenvolver a sua vida e fixar a população no interior”.
“Portugal está a abordar muito bem esta questão, aliás, a secretaria de Estado foi descentralizada e levada para Bragança, enquanto Espanha está a começar a dar u
m salto, com linhas de trabalho e apoios financeiros importantes, mas julgo que a Europa precisa de dar ainda mais prioridade a este problema do despovoamento do interior, há que reforçá-lo. Para mim, o que falta é coordenação com outras áreas, porque as infra-estruturas têm um papel no desenvolvimento económico e do território, são instrumentos ao serviço da logística, do turismo e são fundamentais para favorecer a repovoação do interior e para fixar população e favorecer a coesão”, sublinhou Xoán Mao, defendendo que deve haver um equilíbrio entre a zona mais povoada do litoral e a zona mais despovoada do interior.
“A coesão é uma mesa de quatro patas e, se as duas patas do litoral são mais altas do que as do interior, a mesa está torcida. Temos que falar de mobilidade, logística, serviços, sistema educativo e infra-estruturas”, frisou. Isabel Ferreira, secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, reforçou a ideia de que esta problemática “é algo que se coloca à escola europeia e escala global” e destacou, do ponto de vista do Governo português, a prioridade dada “há vários anos” ao combate do desafio demográfico e fixação de pessoas.
“Isso exige medidas integradas como as que temos estado a fazer, de incentivo à mobilidade de pessoas para estes territórios de interior, neste caso em particular da fronteira entre Portugal e Espanha, são medidas de apoio à criação de emprego, contratação de pessoas, de incentivo ao investimento privado e estímulo ao empreendedorismo, medidas de apoio à interface entre as nossas universidades e politécnicos e o tecido produtivo para que se criem projectos de valorização do território. Precisamos mesmo de actuar em medidas complementares para se atingir essa meta de atrair e fixar pessoas a estes territórios, pessoas que queiram viver, trabalhar e investir nestes territórios”, destacou, revelando que o “saldo migratório em muitos dos nossos concelhos do interior já é positivo”.
“Este desafio demográfico passa por sermos atractivos à escala global para podermos atrair pessoas de todas as partes do mundo, porque como sabemos o saldo natural já muito dificilmente irá repor os níveis de densidade populacional que tínhamos há uns anos. O que precisamos é de capacitar os territórios, torná-los resilientes e garantir a presença de pessoas, que precisamos para a própria preservação dos ecossistemas, mas também para toda a actividade económica, desde sector primário, agricultura, floresta e indústria. Um requisito importante à existência de talento, cada vez mais as profissões são tecnológicas, o que passa por uma aposta da qualificação dos nossos jovens”, referiu a governante considerando “fundamental a existência de redes de parcerias”.
Também Júlia Rodrigues, presidente da Câmara de Mirandela, apontou como prioridade “a coesão dentro do concelho” para combater esta problemática, dando conta de uma aposta “forte nos transportes e na mobilidade”. “Conside
ramos como áreas prioritárias o emprego, habitação e tudo o que está associado a factores do acesso à saúde e educação de qualidade”.
María Xosé Rodríguez Galdo, Catedrática da Universidade de Santiago de Compostela e autora do relátorio de demografia do Eixo Atlântico apontou: "É necessário valorizar o mundo rural. Há que trabalhar o sentimento e evitar dar uma visão negativa do rural. Mais do que reverter povoação, há que mudar a imagem que se tem do rural. Não se pode atrair talento, nem nada, se o mundo rural não mostrar todas as potencialidades que tem. O rural já não são só as actividades agrárias. É fundamental a relação da investigação com as iniciativas rurais.”
Alfredo García, alcalde de O Barco de Valdeorras: "Na provincia de Ourense é onde se dá a problemática do despoboamento con máis crueza, pero non se plantexan alternativas"

Este programa desenvólvese no proxecto FÉNIX, cofinanciado polo programa Interreg España-Portugal (POCTEP) 2021-2027.