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Estratégia é lançar potencialidades do território na plataforma global

Estratégia é lançar potencialidades do território na plataforma global

Os modelos diplomáticos e económicos de proximidade foram o tema central do programa da Antena Minho e da rádio Onda Cero. Neste contexto o Eixo Atlântico assume um papel essencial

Os novos modelos diplomáticos de proximidade no Eixo Atlântico estiveram a ser debatidos num programa conjunto da rádio Antena Minho e da rádio Onda Cero da Galiza. A sessão foi conduzida pelos jornalistas Rui Alberto Sequeira e Angeles San Luís e contou com a participação de Xoán Vázquez Mao, secretário-geral do Eixo Atlântico, José Luís Romeu, ex-secretário de Estado da Cooperação Territorial do governo de Espanha, e Paulo Ramalho, vereador da Competitividade Económica, Relações Internacionais e Turismo da Câmara Municipal da Maia. A cooperação entre Portugal e Espanha tem vindo a ser trabalhada ao longo do tempo, nomeadamente através do Eixo Atlântico. A partilha desta experiência de cooperação com o resto do mundo esteve a ser debatida por estes especialistas.

O secretário-geral do Eixo Atlântico destacou a importância dos concelhos estabelecerem laços entre eles, “políticas solidárias”, que permitam que as cidades mais avançadas possam auxiliar as que têm maiores dificuldades. “O que se pretende é que haja intercâmbios políticos, debates que ajudem a promover o desenvolvimento”. É neste sentido que surge a diplomacia de proximidade entre cidades e
territórios, sendo que “o Eixo Atlântico tem dado um importante contributo para esta relação entre cidades de diferentes latitudes”, garantiu. “O Eixo Atlântico tem a primeira Agenda Urbana transfronteiriça da União Europeia (UE)”, lembrou, notando que esta integra os chamados Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

A ideia, explicou Xoán Vázquez Mao, passa por “desenvolver uma estratégia que responda a um objectivo comum”. Ou seja, esta Agenda Urbana visa a cooperação ao nível da administração entre cidades. No decorrer da entrevista, José Luís Romeu afirmou que o “Eixo Atlântico tem uma vocação internacional, é a única associação de concelhos transfronteiriça que realmente funciona em Espanha, reunindo perto de 40 cidades do Norte de Portugal e da Galiza. Possui um conjunto de estudos sobre o território”, notou. Assim, o Eixo Atlântico tem a capacidade de “transferir estas iniciativas para países que estão a iniciar processos semelhantes, dando continuidade à diplomacia local, que não se confunde com o trabalho dos Estados e dos territórios”, garantiu.

Nas palavras de José Luís Romeu a diplomacia local tem as suas raízes no processo de globalização. “No momento em que se derrubam barreiras em diversos domínios, como comerciais ou culturais, as cidades começam a falar entre si para conseguir investimentos”.

Paulo Ramalho completou a  ideia de que o processo de globalização veio aproximar cidades.”Houve uma descentralização a nível das relações internacionais. Os municípios estão hoje a assumir um conjunto de tarefas que não estão definidas no âmbito das suas competências formais, mas porque têm essa relação de proximidade com o território, as empresas e as pessoas, mais facilmente são capazes de diagnosticar problemas e encontrar soluções. Num mundo fortemente globalizado o que acontece é que a competição entre os territórios deixou de se fazer unicamente no âmbito nacional e regional e passou a fazer-se no âmbito internacional. As cidades competitivas”.

Historicamente Portugal e Espanha surgem “há séculos como dois actores principais no processo da globalização”, tendo graças a isso relações especiais com países da América Latina e África. Ao mesmo tempo, notou Paulo Ramalho, “temos muito portugueses na diáspora, facto muito importante nesta aproximação dos povos e dos territórios à escala global”.

Neste processo de internacionalização, também Paulo Ramalho salientou o papel do Eixo Atlântico, que reúne um conjunto de cidades numa tentativa de “encontrar soluções para problemas comuns”. “Ter consciência das potencialidades dos territórios e lançá-las na plataforma global é uma estratégia altamente inteligente e que traz resultados. As Pequenas e Médias Empresas beneficiam muito das bandeiras que as câmaras e o Eixo Atlântico conseguem colocar noutras geografias do planeta”, afirmou. “A diplomacia económica é hoje uma das principais funções que é exercida pelos embaixadores que percorrem territórios no sentido de encontrar parceiros. Os municípios são de facto aqueles que melhor conhecem os seus territórios e as empresas, e são capazes de indicar a esses baixadores quais as empresas que estão disponíveis para incitar relações comerciais ou outro tipo de investimentos capazes de aportar desenvolvimento a ambos os territórios”, notou.

Para o vereador, as “cidades têm uma responsabilidade social para com outros territórios mais frágeis. Também nessa matéria acooperação para o desenvolvimento pode ser uma forma de encontrar soluções para esses territórios menos desenvolvidos, mas também para promover as nossas empresas na plataforma global”, defendeu.

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