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Especialistas reunidos em Braga defendem a prevenção como o melhor instrumento de luta contra os incêndios na Euro-região

Especialistas reunidos em Braga defendem a prevenção como o melhor instrumento de luta contra os incêndios na Euro-região

Alertam da grande presença de espécies altamente inflamáveis, como o pinheiro ou o eucalipto

A prevenção foi defendida como arma chave na luta contra os incêndios na Euro-região por especialistas dos dois lados do Minho, no âmbito da Conferência “Segurança Transfronteiriça. Ligações norte de Portugal-Galiza”, organizada pelo Correio do Minho.

Durante a inauguração o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, destacou a importância da cooperação nesta área, porque “juntos somos mais fortes”. Vázquez Mao explicou que a segurança é qualidade de vida e consequentemente é chave para captar investimentos, “porque nenhuma empresa quer instalar-se numa área insegura”.

Mao referiu que o fundamental é prevenir, “é a melhor política florestal e obviamente a coordenação e a cooperação. Neste sentido, José Maria Costa, presidente de Viana, colocou sobre a mesa a necessidade da criação de um Centro Coordenador de Emergências entre Espanha e Portugal.

A primeira mesa, centrada na problemática dos incêndios, contou com a participação de António Bento Gonçalves, professor da Universidade do Minho, Juan Picos, professor da Universidade de Vigo e João Felgueiras, comandante dos bombeiros sapadores de Braga.

Durante a sua intervenção o professor Bento lamentou a presença de espécies “altamente inflamáveis” como o pinheiro ou o eucalipto. Bento também assinalou o abandono do mundo rural e comportamentos patológicos das próprias pessoas como as principais razões da proliferação ano após ano de muitos de incêndios (18.000 focos em 2018 em Portugal). Face a esta situação o perito da Universidade do Minho defendeu um melhor ordenamento do território assim como pela necessidade de incrementar a informação prévia para evitar os incêndios.

Juan Picos, professor da Universidade de Vigo, explicou que devemos trabalhar sempre com a perspetiva da cooperação em prevenção, a deteção, a extinção, análise, proteção de pessoas e bens, e investigação científica. Destacou a necessidade de encontrar alternativas para a situação atual e apostar no medio rural, porque senão “os eucaliptos ganham por falta de outras atividades”. Devemos ter em conta que Juan Picos é o autor de um relatório exaustivo sobre este assunto, por iniciativa do Eixo Atlântico, que será divulgado nas próximas semanas.

Por último, o comandante dos bombeiros João Felgueiras, alertou para a necessidade de ordenar o território e alertou também para a introdução de espécies exóticas resistentes e “amigas do fogo”, como é o caso das acácias e o eucalipto. Felgueiras, que fez uma revisão histórica sobre o aumento do número de incêndios e do tamanho dos mesmos na zona, explicou que “da defesa da natureza contra os incêndios passamos para a defesa das pessoas contra os incêndios florestais”.

 Resposta a emergências transfronteiriças

O segundo painel centrou-se na capacidade de resposta e foi especialmente destacada a intervenção de Rudiger Oya Steinbruggen, coordenador do Centro de Cooperação Policial e Aduaneira (CCPA) de Tui-Valença. Oya explicou as dificuldades de segurança nas zonas fronteiriças porque “embora a Europa não tenha fronteiras, os funcionários para fazerem o nosso trabalho, sim”. No entanto, os CCPA permitem, por exemplo o estabelecimento de operações de controlo e patrulhas mistas. A antiga comissaria conjunta foi um exemplo de colaboração e coordenação no âmbito da segurança.

Modelos de colaboração

A terceira e última mesa abordou os modelos de colaboração e contou com a presença do presidente da Câmara de Viana do Castelo e da assembleia-geral da Riet e o eurodeputado José Manuel Fernandes 

José Maria Costa quis destacar a decisão da RIET de levar à próxima Cimeira Ibérica a criação de um Centro de Coordenação de Emergências na fronteira, e a necessidade de que se dote com os meios necessários.

Por seu lado, José Manuel Fernandes falou da eficiência do investimento na prevenção e propôs também incrementar a agilidade administrativa para que as ações de emergência não sejam limitadas pela falta de uma autorização administrativa. 

Na sessão de encerramento o secretário-geral do Eixo Atlântico propôs como conclusões da jornada a necessidade de um maior investimento em investigação, mais recursos para as forças de segurança na fronteira e mais cooperação. Também se manifestou contra a privatização da luta contra os incêndios: “Pode ser que haja quem obtém benefícios dos incêndios mas não pode haver quem obtenha benefícios da luta contra os incêndios”.

A conferência terminou com a intervenção de Ricardo Rio, que exigiu que as instâncias nacionais facilitem os recursos administrativos para que se possa melhorar a colaboração dos dois lados da fronteira tanto a nível de prevenção como de capacidade de resposta em função das necessidades.

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