O Eixo Atlântico aprova a Agenda Urbana, documento que estabelece as prioridades para o desenvolvimento das cidades da Euro-região para os próximos 10 anos
Celebrou-se também o ato de comemoração do 25º aniversário da entidade com a entrega das medalhas do Eixo Atlântico a Fernando Gomes, Eneko Landáburu e Jacques Delors
O Eixo Atlântico referendou em Braga a agenda urbana, documento de planificação estratégica que estabelece as prioridades para o desenvolvimento das cidades da Euro-região para os próximos 10 anos.
Mais de 250 pessoas de todos os setores da Euro-região debateram e contribuíram com numerosas ideias durante o Congresso realizado esta quinta e sexta-feira com o objetivo de conseguir cidades sustentáveis inovadoras e solidárias que situem a Euro-região na vanguarda do processo de construção da Europa pós-crise e pós-Brexit.
A estas 250 pessoas que participaram no debate há que somar cerca de outras 200 que participaram no ato de comemoração dos 25 anos de história do Eixo Atlântico até completar a capacidade do Theatro Circo em Braga.
Especialistas de destaque de diversos âmbitos como o urbanista Charles Landry, autor do conceito de Cidade Criativa; José Palma Andrés, ex diretor de Cooperação Territorial Europeia da Comissão Europeia; Carmen de Paz, experta em Proteção Social, colaboradora no Banco Mundial e na OMS; Jordi Joly, experto sénior externo do Instituto Europeu de Administração Pública ou Thomas Elmqvist, professor de Gestão de Recursos Naturais no Stockolm Resilience Center (Universidade de Estocolmo) participaram de forma ativa nos vários workshops de debate propostos para abordar os conteúdos da Agenda Urbana do Eixo Atlântico. Trata-se da primeira agenda estratégica urbana de carácter transfronteiriço que existe na Europa.
O Congresso contou também com a assistência de inúmeros dirigentes municipais de ambos os lados do Minho, assim como deputados tanto da Assembleia da República como do Parlamento Galego, como é o caso de Luis Villares, com uma participação ativa durante as jornadas de debate. O debate contou também com a assistência de membros de coletivos sociais e empresariais do Eixo Atlântico, assim como uma ampla representação das cidades. Neste sentido chamou especialmente a atenção a ausência de representantes da Xunta de Galicia, que não participou no debate nem no ato dos 25 anos.A Euro-região Galiza-Norte de Portugal configura-se como a mais dinâmica e estável dentro da Europa, um dinamismo que sem dúvida contribuiu para o seu fortalecimento mas também gerou uma série de dificuldades para o desenvolvimento desta euro-região, que constitui a terceira área urbana da Península Ibérica.
Esta pujante área encontra problemas de mobilidade, como é o défice na rede ferroviária e a coordenação entre portos e aeroportos ou dificuldades no âmbito da política industrial com uma assimétrica ocupação do solo produtivo.
Debate
Todos estes assuntos formam parte do debate da Agenda Urbana, com a qual o Eixo Atlântico propõe pautas de funcionamento coordenado para o desenvolvimento da Euro-região nos próximos 20 anos.
Em concreto, durante o debate foram abordados os eixos concretos de atuação da agenda urbana:
- O sistema urbano organizado: o novo território
- A cidade competitiva: crescimento e emprego
- A cidade integradora e participativa: a nova sociedade
- A cidade ecológica: o desafio da sustentabilidade
Trata-se da última fase de um largo processo de quase dois anos no qual coexistiu o trabalho académico com a participação dos agentes sociais do território. Agora abre-se uma nova etapa para lançar o plano de ação no próximo ano, que identificará as ações concretas a partir das necessidades e estratégias que define o documento debatido.
Ato dos 25 anos
O ato presidido pelo primeiro-ministro configurou-se como uma autêntica exaltação europeísta com o reconhecimento do projeto europeu de Jacques Delors, que foi reconhecido juntamente com Fernando Gomes e Eneko Landáburu com as medalhas do Eixo Atlântico no seu 25º aniversário.
Durante o ato de comemoração dos 25 anos António Costa valorizou o trabalho dos três homenageados e destacou especialmente a importância de defender a Europa de Delors, um projeto com valores como a abertura de fronteiras. Concretamente, Costa indicou que “tem de nos inspirar para estarmos abertos ao mundo”. Além disso o Primeiro-ministro também qualificou o Eixo Atlântico da Galiza e Norte de Portugal como uma zona vital para a projeção da Península no espaço global. “É um eixo estratégico para a colaboração dos nossos países”, referiu.
Também António Vitorino, que recebeu a medalha em nome de Jacques Delors, destacou os valores de solidariedade, cooperação, convergência e coesão europeia.
Por seu lado, o presidente de Braga e presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, incidiu no trabalho realizado pela entidade nestes 25 anos, indicando que “os êxitos do Eixo Atlântico são os êxitos de todos”. Nesta linha também o vice-presidente e presidente de O Barco de Valdeorras, Alfredo García Rodríguez, insistiu na necessidade da complementaridade dos municípios entre eles para fazer realidade essa cidade de sete milhões de habitantes que é a Euro-região.
Por seu lado, o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, defendeu uma Europa das cidades e dos cidadãos, na qual sejam estes quem possam eleger o seu presidente “em eleição direta, universal e secreta”. Além disso, alertou de que na atualidade a corrupção está a propiciar o aparecimento dos populismos “que se camuflam tanto na direita como na esquerda para destroçar o sistema democrático”.
O ato contou também com a interpretação de várias peças ao piano de dois jovens premiados na V Mostra Musical do Eixo Atlântico, Máximo Klyetsun, de Braga e Noreia Hermida, de Ferrol, que encerraram o ato com uma versão ao piano do Hino da Alegria.