Associação Eixo Atlântico apresentou ontem Plano de Mobilidade Urbana Sustentável com propostas para 39 cidades do Norte de Portugal e da Galiza. Novo modelo penaliza automóvel privado
O actual modelo de mobilidade, que “tem os dias contados”, está na base de disfunções e de custos económicos nas cidades. “Como expulsar o veículo privado da cidade” é, pois, a grande questão a responder com o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Eixo Atlântico (PMUSEA), ontem apresentado, na Póvoa de Varzim, durante o V Seminário de Intercâmbio de Experiências no Âmbito da Sustentabilidade.
Segundo o coordenador do estudo, Francesc Cárdenas, a mobilidade urbana do futuro será necessariamente eléctrica e compartilhada, propondo o PMUSEA que seja o transporte público, não o privado, a mandar na mobilidade urbana.
Com propostas concretas para cada uma das cidades que fazem parte do Eixo Atlântico, o PMUSEA assenta no conceito do transporte público como elemento estrutural do modelo de cidade, com pontos de acesso para todos os residentes num raio de 300 metros, tendo em vista o objectivo de que as deslocações internas em veículo particular nos centros urbanos não ultrapassem os 25%.
O ecologista urbano Francesc Cárdenas apontou como meta também assumível que mais de 60% do espaço público das cidades que hoje é para os veículos particulares seja devolvido ao peão.
“Que seja o transporte público a estruturar a cidade”, defendeu este especialista em mobilidade sustentável perante uma plateia de autarcas e técnicos municipais do Norte de Portugal e da Galiza, tendo apontado “o consumo energético excessivo, o ruído e a má qualidade de ar” como “disfunções actuais” da vida urbana resultantes de um modelo de mobilidade assente no transporte particular, as quais devem ser tidas em conta no actual “contexto de emergência climática”.
A elaboração do PMUSEA, em linha com o Pacto Ecológico Europeu, por uma equipa de onze especialistas, diagnosticou uma “excessiva dependência do automóvel privado para percursos que podem ser feitos a pé ou de bicicleta” e um aumento da taxa de motorização nas nossas cidades.
Os autores do PMUSEA indicam “a obrigatoriedade de zonas de baixas emissões em cidades com mais de 50 mil habitantes”, alertando que o custo do aparcamento deve tipo pelos gestores dos centros urbanos “para afastar o automóvel privado”.
Francesc Cárdenas alertou que “a ocupação dispersa do território vai impedir o transporte público de funcionar”, pelo que o plano encomendado pelo Eixo Atlântico no quadro do seu Plano de Acção da Agenda Urbana indica que a cidade compacta é a que melhor potencia a eficácia do transporte público.
Uma densidade habitacional correcta permite um sistema de transportes que, de outra forma, será deficitária, concluem os autores do PMUSEA, sendo que a densidade ideal se situa entre os 100 a 300 habitantes por hectare.
Ora, a ocupação do território no Norte de Portugal e na Galiza caracteriza-se pela dispersão do edificado, com zonas de baixa densidade ligadas apenas pelo automóvel privado, pelo que avançar para um modelo de ocupação muito mais compacto é defendido na Agenda Urbana do Eixo Atlântico.