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Eixo Atlântico apela a mais cooperação no combate aos incêndios florestais

Eixo Atlântico apela a mais cooperação no combate aos incêndios florestais

Programa emitido em conjunto pela Rádio Antena Minho e pela Rádio Onda Cero, de Espanha, debateu os desafios que se colocam à região no combate aos incêndios rurais e florestais

A cooperação entre as várias entidades do Norte de Portugal e da Galiza é essencial para a diminuição das áreas ardidas nas duas regiões. A conclusão saiu do programa ‘Eixo Atlântico’ emitido recentemente em conjunto pela Rádio Antena Minho (106 FM) e pela Rádio Onda Cero, da Galiza. O programa contou com as participações de Luís Nobre (presidente do Eixo Atlântico e da Câmara Municipal de Viana do Castelo), Altino Bessa (vereador da Câmara Municipal de Braga com os pelouros do Ambiente e Alterações Climáticas, Protecção Civil e Bombeiros, Política Animal, Energia e Desenvolvimento Rural), Alfredo García (vice-presidente do Eixo Atlântico e prefeito de O Barco de Valdeorras - Galiza) e de Juan Picos (professor da Escola de Engenharia Florestal da Universidade de Vigo - Galiza). O programa foi moderado pelos jornalistas Rui Alberto Sequeira e Angeles San Luis.

Luís Nobre alegou que a prevenção dos fogos florestais “é uma preocupação permanente dos municípios portugueses e da Junta da Galiza”, mas não reconhecem fronteiras. Nesse sentido, apontou o presidente do Eixo Atlântico, “a cooperação é determinante, principalmente nos incêndios mais complexos. Tem de haver uma estratégia assente na articulação, que é determinante. A coordenação tem sido o nosso principal desafio em matéria de incêndios”. O também presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo lembrou que há uma “partilha de projectos e experiências reconhecida internacionalmente” entre as entidades que compõem o Eixo Atlântico. Considerou, no entanto, ser fundamental haver uma rede de comando nacional única.

O vereador bracarense Altino Bessa recordou os 850 hectares de floresta ardidos a 15 de Outubro de 2017, na encosta do Sameiro e da Santa Marta, e destacou que o cenário pode voltar a repetir-se. “A área é privada e está cheia de eucaliptos. Essa área florestal não está a ser tratada. Desafiei os proprietários a substituirem os eucaliptos por árvores autóctones,m as os proprietários não responderam”, explicou Altino Bessa.

O vereador defendeu também que é necessário mais coordenação no combate aos fogos florestais. “A coordenação não existe, principalmente nos meios aéreos. A aposta tem de ser na vigilância e na primeira intervenção”, disse Altino Bessa acres- centando que este ano, o dispositivo municipal de incêndios rurais conta com 46 operacionais em serviço permanente.

Do lado galego, o vice-presidente do Eixo Atlântico e prefeito de O Barco de Valdeorras, Alfredo García, indicou que os montes têm de ser mais rentabilizados. “Há que limpar os montes. Os montes têm que ser produtivos. Temos que voltar a colocar lá os animais. Onde há gado nos montes, os incêndios são mais controláveis”, expressou Alfredo García. O autarca galego frisou que “há muitas parcelas de terreno cujos donos são desconhecidos. Se os montes produzirem, não têm tantos incêndios e geram postos de trabalho e riqueza”.

Juan Picos, professor da Escola de Engenharia Florestal da Universidade de Vigo (Galiza), explicou que os montes galegos apresentam “muita vegetação ”, o que contribui para “a evolução rápida de muitos incêndios. Temos parróquias (freguesias) onde o risco de incêndio é muito alto”.

O programa radiofónico realizou-se no âmbito do programa Interreg Espanha - Portugal (POCTEP) 2021 - 2027.