A VI Mostra Musical do Eixo Atlântico demonstra em Vila Real o alto nível dos jovens intérpretes da Euro-região
Mais de 300 jovens participaram nesta edição, que se destacou pelo grande nível técnico dos participantes da Galiza e Norte de Portugal e pelo companheirismo entre os mesmos
Os participantes da Mostra Musical do Eixo Atlântico brilharam este fim-de-semana em Vila Real. O certame, que se realizou entre sábado e domingo, foi a confirmação do alto nível dos jovens intérpretes de música clássica e jazz da Euro-região.
Foi a primeira vez que a Mostra Musical do Eixo Atlântico se realizou integralmente fora de Vilagarcía de Arousa, local que a realizou desde 2018 e a organização desta edição passou com distinção na prova. Mas sobretudo temos que valorizar o trabalho dos jovens e dos seus professores, que demostraram o alto nível que estão a atingir as escolas de música e conservatórios tanto no norte de Portugal como na Galiza.
A Mostra Musical decorre a cada dois anos com a finalidade de valorizar os músicos das escolas de música e conservatórios, apoiando aqueles músicos intérpretes que pelo seu valor e interesse possam contribuir para a difusão do gosto pela música clássica e o jazz, favorecendo a inovação, a qualidade, a interação e a renovação no panorama musical do Eixo Atlântico.
Um dos objetivos principais da Mostra é favorecer este intercâmbio cultural e a convivência entre os participantes de um lado e outro do Minho e foi realmente gratificante ver como durante todo o evento, apesar de estarem a competir, entre os intérpretes primava sobretudo o companheirismo.
O certame é direcionado para jovens intérpretes que sejam estudantes das Escolas de Música ou Conservatórios Profissionais (no caso de Galiza) e Escolas Profissionais e Conservatórios (no caso de Portugal), pertencentes aos municípios membros do Eixo Atlântico.
Para a organização da Mostra Musical o Eixo Atlântico conta com a colaboração da Casa da Música do Porto e da Xunta de Galicia, através da Secretaría Xeral de Cultura.
Entrega de prémios
No domingo, depois da interpretação dos finalistas que se classificaram da fase prévia realizada sábado, teve lugar a entrega de prémios às atuações mais meritórias.
O júri desta edição quis reconhecer especialmente as interpretações –ex aequo- de Maria Soeiro Oliveira, em representação do município da Maia e Mafalda Soares Ribeiro, de Braga, na categoria de Solistas grupo A (até os 10 anos).
Na categoria de Solistas grupo B (de 11 a 12 anos) a vencedora foi Matilde de Sousa Margalho, em representação do município de Santa Maria da Feira.
Na categoria de Solistas grupo C (de 13 a 15 anos), o júri premiou o trabalho de Tomás Celeste, de Matosinhos, e decidiu também entregar uma menção honrosa a Matilda Pinto Mensink, do Porto.
Na categoria de Solistas grupo D (dos 16 aos 18 anos) venceu o representante da Eurocidade Chaves- Verín Rafael Filipe Picamilho Simão. Nesta categoria, o júri também decidiu entregar uma menção honrosa a Romeu Velez de Rodrigues Aires Lourenço, em representação do Município de Vila Nova de Gaia e a Lia Rafaela de Marcos e Melo, de Vila Real.
No que respeita aos agrupamentos de câmara (entre dois e seis integrantes) foi premiado o quarteto de saxofones do Conservatório de Música do Porto. O júri também atribuiu uma menção honrosa ao Duo de Percussão Esproarte, em representação do município de Mirandela.
Por último, na categoria de Agrupamentos Maiores, arrecadou o galardão a Banda Sinfónica da Academia de Artes de Chaves, em representação da Eurocidade Chaves-Verín. O júri decidiu entregar também uma menção honrosa ao Pequecoro “In crescendo”, que representava Ferrol.
Homenagem a Nemesio García Carril
Em cada edição a Mostra Musical do Eixo Atlântico tem como objetivo reconhecer a figura de uma pessoa relevante da música clássica ou jazz da Euro-região. Este ano o homenageado foi Nemesio García Carril, artista e professor natural de Santiago de Compostela com uma dilatada carreira em canto, direção, composição e musicologia, e reconhecimentos a nível nacional e internacional.
Nemesio García Carril não pode estar presente na cerimónia por motivos de saúde mas fez questão de transmitir através de um sentido vídeo a sua emoção e gratidão pela homenagem. Foram muitas as conversas com Nemesio nestes meses prévios à Mostra nas quais pudemos perceber a intensidade com que vive a música sempre com a intenção de a transmitir aos demais.
Apesar de viver fora da Galiza, está profundamente unido a esta terra desde que com 5 anos começou a tocar a gaita e aproveitava cada momento para o fazer, “sobretudo quando ia ao monte com as vacas”, segundo explicou o mesmo.
A sua relação com Portugal não foi só com Lisboa, mas também com o Norte, por um lado devido às contínuas viagens entre Sobrado dos Monxes e Lisboa, e por outro por ter recebido uma proposta de trabalho no Porto que acabou por não poder aceitar devido à sua ida para Roma.
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