A linha ferroviária A Coruña-Vigo-Ourense-Monforte-O Barco-Palencia será integrada no Corredor Atlântico a 6 de junho
Durante a reunião com o coordenador europeu dos corredores ferroviários também se abordou a saída sul de Vigo
O presidente do Eixo Atlântico, Alfredo García, e o secretário-geral, Xoán Vázquez Mao, reuniram esta manhã em Bruxelas com Carlo Secchi, coordenador europeu da rede Transeuropeia de Transportes para defender a inclusão da linha A Coruña-Vigo-Ourense-Monforte- O Barco-Palencia no Corredor Atlântico, ligando com a parte do referido corredor já aprovado entre Aveiro e a fronteira francesa.
Durante a reunião Carlo Secchi confirmou ao presidente do Eixo que a linha A Coruña-Vigo-Ourense-Monforte-O Barco-Palencia, reivindicação do Eixo Atlântico há anos, será proposta pela Comissão Europeia no próximo dia 6 de junho para a sua integração no Corredor Atlântico, proposta que será remetida para sua ratificação pelo Parlamento e Conselho Europeu.
A previsão para a ratificação definitiva é 1 ano ainda que o atual Parlamento tenha intenção de o aprovar antes das próximas eleições europeias. De qualquer forma, a proposta será oficializada antes de 2020 para que possa ser cofinanciada em 2021 com os fundos do novo quadro comunitário. A Comissão Europeia realizará entre 2021 e 2023 uma revisão do estado das obras para garantir que em 2030 no máximo toda a rede europeia esteja finalizada.
A Comissão Europeia abriu recentemente um prazo para que os governos nacionais pudessem propor alterações ou incorporações às propostas que aprovou a Comissão no ano 2010, quando se aprovou a Rede de Corredores Ferroviários Europeus. Nesse momento o Eixo Atlântico conseguiu que o governo português incluísse na proposta conjunta com o governo espanhol o corredor Aveiro- Salamanca- Palencia- fronteira francesa, já que inicialmente apenas estavam previstos o chamado eixo 16 (que logo se incluiu no corredor atlântico junto com o de Aveiro) Sines, Lisboa, Badajoz, Zaragoza, França e o corredor do Mediterrâneo. Também tentou, sem êxito, que o eixo Monforte-Palencia fosse incluído nos corredores e continuou a trabalhar com este objetivo desde então.
Recentemente o Governo espanhol incluiu a proposta aproveitando o prazo referido, o que representou um grande avanço na reivindicação do Eixo Atlântico. A decisão será tomada pela Comissão Europeia no próximo dia 6 de junho, pelo que o presidente do Eixo Atlântico considera imprescindível transmitir à Comissão a importância do corredor, o seu impacto socioeconómico e o consenso social generalizado que conseguiu. Neste sentido foi entregue a Carlo Secchi um dossier que inclui as certificações dos acordos plenários a favor do corredor adotadas pelas entidades municipais empresariais e sociais no último mês, que assistiram à cimeira de O Barco no passado dia 16 de março tanto da Galiza como do Bierzo como de Astorga
Secchi considerou de grande importância os acordos plenários que Alfredo García lhe entregou, resultado da cimeira de O Barco, já que o consenso social é determinante para a ratificação do Parlamento. Também considerou muito positivo o consenso existente entre o Governo Espanhol, o Eixo Atlântico e a Xunta de Galicia para que o processo chegue a bom porto.
Saída sul de Vigo
Na reunião Secchi também mostrou interesse pelas linhas transfronteiriças e enfatizou os 30 km que faltam entre Vigo e Portugal, a chamada Saída Sul, o que levou a que tanto o presidente como o secretário-geral referissem as conversações que têm mantido com os dois governos para impulsionar este projeto. Nesta conversação abriu-se a possibilidade de que os referidos trabalhos também possam ser objeto de financiamento europeu, se bem que é algo que compete ao Governo espanhol, pelo que o Eixo Atlântico lhe transmitirá nos próximos dias esta possibilidade ao Executivo.
A importância da aprovação por parte da Comissão Europeia reside no facto de que a partir da sua inclusão nos corredores europeus o Governo espanhol poderá iniciar os trâmites para realizar a obra, que será cofinanciada em 50% pela Comissão Europeia. Esta obra permitirá tanto o transporte de mercadorias como o transporte de passageiros a velocidades de cerca de 200 km/h em bitola europeia, o que garantirá a competitividade dos portos galegos reforçando simultaneamente o corredor de Aveiro ao aportar uma maior massa crítica de mercadorias, o que no conjunto reforçará o corredor do atlântico para o equilibrar e competir com o do Mediterrâneo.
Esta reunião, que foi agendada em princípios de abril foi comunicada pelo presidente da Xunta na reunião que por este tema mantiveram a 7 de maio e na qual Alfredo García incentivou a promover o Porto Seco de Monforte, outra das reivindicações históricas do Eixo e infraestrutura imprescindível para concentrar as mercadorias galegas e viabilizar os novos comboios de 750 metros que circularão pelos corredores europeus de transporte ferroviário.
Neste sentido, Carlo Secchi indicou que o Porto Seco de Monforte seria uma boa solução para a competitividade da linha.
O presidente do Eixo Atlântico manifestou a sua satisfação pela posição da CE e considera que “conseguimos os objetivos previstos nesta primeira fase e o mais importante que foi sensibilizar a CE sobre a importância de que integrem o corredor.
Ainda que a decisão seja tomada até ao dia 6, temos a certeza de que a CE integrará a linha nos corredores europeus, o que mudará totalmente o interior da Galiza em termos de desenvolvimento económico e a competitividade dos portos.
Esta reunião foi determinante para os nossos objetivos. Agora é hora de colaborar com o Governo espanhol para que se agilizem os investimentos, se lancem os concursos e sensibilizar a Xunta de Galicia sobre a urgente e imperiosa necessidade de promover o Porto Seco.