A Comissão Europeia confirma que o Governo espanhol solicitou a inclusão do troço Ourense-Monforte-Palencia na rede europeia de transportes, reivindicação histórica do Eixo Atlântico
Meia centena de dirigentes da Galiza e el Bierzo reúnem em O Barco de Valdeorras para pedir que a linha Monforte Palencia seja integrada no corredor europeu do Atlântico
Mais de cinquenta dirigentes sociais, económicos, empresariais e políticos da Galiza, el Bierzo e Astorga, reuniram-se em O Barco de Valodeorras convocados pelo Eixo Atlântico e pelo presidente de O Barco, Alfredo García, que também é o presidente da entidade, para reivindicar que a linha Monforte Palencia seja integrada no corredor Atlântico e portanto se destinem os fundos europeus previstos para o corredor a modernizar e tornar competitiva a ligação ferroviária que o Eixo Atlântico batizou como “T deitada”: a linha Lugo- Ourense e a sua ligação desde Monforte com Palencia onde confluiria com a linha principal que vem de Aveiro, já aprovada pela Comissão Europeia a proposta dos governos de Portugal e Espanha.
Esta linha é determinante para o futuro dos portos galegos que segundo opinião unânime dos especialistas devem concentrar as mercadorias em Monforte para desde ali articular pelo menos um comboio diário de 700 metros de comprimento que coloque as mercadorias na fronteira francesa em tempo competitivo com as ligações do Mediterrâneo e de outros portos europeus.
Como efeito colateral, a modernização desta linha compatível para mercadorias e passageiros permitiria também tornar competitivo o comboio Alvia que liga a Galiza com Barcelona a través de O Barco de Valdeorras, Ponferrada e Astorga.
A reunião começou com as intervenções do secretário-geral do Eixo que explicou o carácter estratégico da linha para toda a Galiza. De seguida, o diretor da representação da Comissão Europeia em Barcelona, Ferrán Tarradellas, explicou a situação dos corredores europeus e das ligações que afetam o noroeste peninsular e anunciou que o Governo espanhol incluiu a linha Ourense-Monforte-Palencia, na proposta do Corredor Atlântico para a Rede Europeia de Transporte e que em 2018 haverá uma revisão dos corredores aprovados por Bruxelas pelo que se poderia incluir e aceder ao financiamento europeu para a sua colocação em marcha.
Esta reunião também contou com a participação de Manuel Besteiro, da Direção Internacional de Adif e gestor do corredor Atlântico, que fez uma análise das infraestruturas ferroviárias existentes e valorizou a oportunidade que representa o Corredor Atlântico para a fixação de empresas e população no interior.
Por último, tomaram a palavra Fernando González Laxe, ex presidente de la Xunta e assessor em matéria portuária e Miguel Rodríguez Bugarín, catedrático de Ferrocarriles e assessor do Eixo em assuntos ferroviários.
No geral os 4 especialistas apresentaram aos assistentes a situação exata da linha, e o seu impacto económico tanto na Galiza como em el Bierzo
A reunião contou com a presença do portavoz parlamentar de En Marea, Luis Villares, e do Partido Socialista, Xaquín Fernández Leiceaga. Também estiveram presentes José Antonio Neira Cortés, secretário-geral em funções da CEG, o presidente de Kaleido Logistics, entidade representativa do Cluster da Logística e o presidente do Clúster de la Pizarra, o presidente do Consello Comarcal del Bierzo, a presidente dos empresários de Valdeorras, CCOO e UGT, a diputación de Lugo e de Ourense, o presidente de Monforte, a presidente de Ponferrada, o Teniente de Alcalde de Astorga, os Concellos de Lugo e Ourense e presidentes dos municípios do trajeto do comboio, tanto de Lugo e Ourense como del Bierzo e a Maragatería.
Neste sentido chamou poderosamente à atenção a ausência de representantes dos portos galegos e muito especialmente a ausência de representantes da Xunta de Galicia que recusou o convite feito a Ethel Vázquez por razões de agenda.
O secretário-geral do Eixo, Xoán Vázquez Mao, lamentou “a falta de compromisso do Governo galego com o interior da Galiza uma vez que nem estiveram presentes na reunião em defesa do Porto Seco de Monforte, nem da linha de comboio, ambos essenciais para a sobrevivência dos portos galegos e do interior da Galiza”.
Na segunda parte da reunião e depois de um debate político de quase duas horas, foi acordado solicitar uma entrevista com o ministro de Fomento para oferecer a colaboração das instituições e fazer um acompanhamento do processo até ser conseguido o financiamento.
Vázquez Mao alertou contra outras linhas para as quais a Xunta está a solicitar apoio aos municípios. Vázquez Mao advertiu de que apresentar uma segunda linha quando ainda não se conseguiu a primeira condena as duas e reproduz-se o erro histórico dos aeroportos galegos. O futuro dos portos e da Galiza interior passa por concentrar todo o esforço na linha Monforte-Palencia. Para finalizar o secretário-geral lamentou que o Governo galego continue sem conhecer as necessidades reais da Galiza porque nunca parou para analisar o ordenamento do território.
Nas palavras do presidente de O Barco, hoje no Barco falou-se do futuro da Galiza na sua totalidade, não apenas do interior.
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