Raúl Álvarez: “Sou um pintor jovem e graças à Bienal foi despertado um grande interesse pela minha obra”
O vencedor da X Bienal do Eixo Atlântico impulsiona a participação no certame porque com vontade e esforço “pode-se viver desta profissão”
Raúl Álvarez Jiménez é pintor de água, de miradas distintas sobre o mar, e com um dos seus quadros de perspetiva aquática venceu em 2014 o primeiro prémio da melhor obra da X Bienal do Eixo Atlântico, certame aberto a todos os autores naturais ou residentes na Galiza e Norte de Portugal. Agora, quando já está em marcha a convocatória da décima primeira edição da bienal, Raúl Álvarez, que este ano fará parte do júri, impulsiona os criadores a apresentar as suas pinturas porque “é uma grande oportunidade para poder mostrar o nosso trabalho”.
O Eixo Atlântico pretende que tanto os prémios como a exposição itinerante ajudem a impulsionar a carreira dos artistas que se apresentam na sua bienal. Qual foi a sua experiência?
Quando venci já pintava há seis anos, sou um criador relativamente jovem, e o prémio despertou o interesse pelo meu trabalho e das pessoas que queriam ver as minhas obras no meu estúdio na Corunha. Também aumentaram as entradas no meu blog e nas minhas redes sociais. Quando me ligaram para comunicar do prémio, tiveram que repetir várias vezes porque não queria acreditar. Eu pretendia no mínimo estar entre os selecionados para o catálogo da mostra itinerante, mas o ter vencido com um nível tão alto no certame foi impressionante. É um prémio importante e ainda mais se ambicionas viver da pintura.
E pode-se viver da pintura?
Bom, eu tenho conseguido porque dou aulas no meu estúdio, trabalho que faço em paralelo com as minhas obras, às que dedico muitas horas. Mas é muito difícil e é verdade que uma oportunidade como a do Eixo Atlântico abre portas, neste caso, também, de âmbito internacional já que as nossas criações são vistas na Galiza e no Norte de Portugal. Com vontade e muito esforço pode-se conseguir viver da pintura que em si já é uma forma de vida, e por isso aconselho, sem dúvida, os artistas a apresentarem o seu trabalho nesta nova edição da Bienal.
Os catálogos de Bienal pretendem oferecer uma perspetiva do estado criativo da Eurorregião. Como vês o panorama?
Realmente eu comecei com a crise económica e esse é o cenário que conheço. Antes desta recessão era menos complicado porque havia mais espaços de exposições e mais gente interessada em comprar arte, era mais fácil dedicar-se a criar. Agora, contamos com um bom número de pintores com talento mas muitos não podem desenvolver bem o seu trabalho devido à situação atual. Era importante que houvessem mais iniciativas e um pouco mais de apoio institucional para que tivessem maiores oportunidades para promover as suas obras.
O seu quadro vencedor intitulava-se “Torso acuático V” Em que estava inspirado?
Na água. Para mim o mar é um tema recorrente e procuro trabalhar com as suas distintas perspetivas num intento de encontrar um estilo próprio, pessoal. O quadro premiado fazia parte de uma série sobre banhistas recriados a partir de um ponto de vista diferente na qual já vinha a trabalhar há algum tempo. Quase todas as minhas coleções estão associadas à água, é o seu ponto de ligação.
Este ano será júri da XI Bienal. Como encara estar do outro lado do certame?
Pois com muita responsabilidade. Não é fácil avaliar o que os pintores querem transmitir e a técnica, e é fundamental tentar atuar justamente, se é que isso é possível porque existe grande parte de subjetividade na seleção. E quem sabe se o júri da última bienal tivesse sido outro, poderia não ter sido eu o vencedor. Estou expectante e encantado por poder viver o processo de decisão e de entendimento de um júri para decidir quem serão os premiados desta nova bienal.
Raúl Álvarez (Madrid, 1982) tem o seu estúdio na Corunha, e pode-se conhecer a fundo a sua obra através do seu blog http://www.raulalvarezpintura.com/ e das suas redes sociais. Nos seus oito anos de carreira pictórica, na que não descarta incursões noutras formas de criação como a escultura, expôs em mais de trinta mostras individuais e coletivas, assim como em feiras. As suas obras estão presentes, também, em 18 publicações e integram diversas galerias e coleções tanto em Espanha como de âmbito internacional (Portugal, Itália, EUA, Turquia, Bélgica, Nova Zelândia…).