Entrevista à Presidente do Júri da XI Bienal de Pintura del Eixo Atlântico
A comissária da exposição de arte da Galiza e do norte de Portugal, Pilar Corredoira, prevê que a tecnologia e a ciência abrirão novos espaços criativos, “por vezes inusitados”
A liberdade criativa num contexto de globalização, também na arte, caracteriza as obras premiadas na XI Bienal de Pintura Eixo Atlântico, bem como das restantes criações selecionadas para esta exposição, de carácter itinerante, que durante este mês se pode ver no Museu das Artes Decorativas de Viana do Castelo (Portugal). Pilar Corredoira, comissária e presidente do júri, destaca o valor da mostra, que “desempenha um papel fundamental para promover o trabalho dos novos criadores e das tendências”.
- O que se pode destacar na Bienal deste ano relativamente às dez edições anteriores?
A variedade de abordagens pictóricas das propostas apresentadas a concurso evidenciam uma liberdade criativa por parte dos artistas que enriquece, indubitavelmente, a exposição e confere-lhe um certo ecleticismo. No compêndio das obras premiadas e as selecionadas para a mostra pode apreciar-se um equilibrado e interessante nível que, se lhe somarmos a elevada participação de autores, reforçam a Bienal do Eixo Atlântico como uma referência a ter em conta.
- Num certame como este, sem limites temáticos, quais são os aspetos que mais se valorizam na hora de atribuir os prémios?
Em cada criação temos de considerar certos fatores que nos remetem para a sua disposição no tema e conteúdos. Nas obras, tanto a originalidade como o valor estético e a técnica devem compor um conjunto adequado que partindo da ideia original chegue até à expressão final.
- A Bienal está aberta a criadores da Galiza e do norte de Portugal. Existem diferenças claras entre as duas regiões ou a globalização também chegou à pintura?
A globalização está presente em todos os aspetos da vida contemporânea e na arte teve uma influência notável e continua a deixar a sua marca, não só no trabalho do artista. No âmbito da história, da crítica, da gestão, dos museus ou do colecionismo, essa transformação propiciada pelos avanços tecnológicos e pelo rápido acesso à informação originou mudanças radicais que possibilitaram novas formas de entendimento. O criador não pode obviar essa poderosa torrente de informação, em constante mudança, que se traduz na difusão instantânea de imagens e de propostas artísticas procedentes de diferentes pontos do planeta, bem como na confluência das mesmas.
- Como são avaliadas no mundo da arte projetos como a Bienal do Eixo Atlântico, com mais de 20 años de vida?
Esta iniciativa continuada pressupõe, sem dúvida, um importante apoio, especialmente para os autores mais jovens. A Bienal é um estímulo que favorece a visualização das obras criadas na Galiza e no norte de Portugal, que são expostas em lugares e espaços e para públicos diferentes destes dois países. Temos que ter em conta que é fundamental para o desenvolvimento dos artistas a ajuda procedente dos diferentes sectores que formam o mundo da arte, tanto públicos como privados. Por isso, a existência de bienais e de eventos tradicionalmente criados para realizar essa tarefa de difusão desempenhou um papel fundamental na hora de situar e promover o trabalho dos novos pintores, bem como das tendências artísticas.
- Falando de tendências, que aspetos influirão na arte do futuro?
A tecnologia e a ciência são já elementos fundamentais para o artista atual. Ambas, interrelacionadas com o próprio espírito criativo, favorecem a capacidade de experimentação e abrem novos espaços, por vezes inusitados. Mas também, nesse contexto tão globalizado no qual se desenvolve o autor do nosso tempo, outras questões concernentes aos problemas sociais, geográficos ou mesmo económicos têm lugar no momento de avaliar um futuro próximo de criação.