Artigo de opinião de Lídia Brás Dias, vereadora da Cultura do Município de Braga
A Capital da Cultura do Eixo Atlântico é um momento de particular maturidade para Braga e para a dinâmica cultural que tem sido desenvolvida nos últimos seis anos.
Braga, pela importância histórica e cultural que detém no seio do Noroeste Peninsular, justifica plenamente o acolhimento deste importante certame ibérico que poderá potenciar as sinergias com os agentes culturais dos municípios do Norte de Portugal e da Galiza.
Se queremos afirmar-nos como uma Capital de Cultura temos que partilhar experiências com aqueles que nos rodeiam e procurar estabelecer pontes, não apenas com os “fazedores” de Cultura do nosso território, mas com todos os bons exemplos que nos rodeiam. É esse o principal propósito desta Capital de Cultura do Eixo Atlântico, que vai apostar na criação e na diversidade das áreas de intervenção artística.
Que diria o reformador, mas também cruento, Imperador Diocleciano se lhe dissessem que a velha urbe romana de Bracara Augusta, que ele transformou no ano 284 na capital da recém-criada província da Gallaecia (Galiza), voltará, por um ano, a assumir uma centralidade nesse mesmo território do noroeste peninsular?
O acolhimento da Capital da Cultura do Eixo Atlântico torna-se um passo determinante no processo de envolvimento da comunidade numa crescente dinâmica de criação e fruição cultural, que nos vai conduzir seguramente a uma organização maior como é a Capital Europeia da Cultura em 2027.
Neste ano em que somos Capital de Cultura do Eixo Atlântico queremos construir oportunidades para tornar estarmos mais próximos, não apenas dos municípios do Norte de Portugal, mas também com o território da Galiza, com o qual possuímos, além de uma proximidade geográfica muito evidente, uma cultura e história partilhadas que deve fomentar uma contínua e mais visível relação. E se a história e a geografia nos irmanam de uma forma tão singular, também a Cultura - nas diversas formas de se expressar - se revela como oportunidade de encontro.
Já não somos a capital da Galiza, mas continuamos a ser uma cidade orgulhosa e devotada aos vínculos que fundaram a nossa identidade. E a Galiza, bem como todo o Norte de Portugal, são territórios com os quais estaremos ligados para sempre.
Porque somos, continuamente, uma autêntica Capital de Cultura!