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Passada a crise sanitaria, que Europa queremos reconstruir?

Passada a crise sanitaria, que Europa queremos reconstruir?

Artigo de opinião de José Palma Andrés, ex-diretor de Cooperação territorial da Comisão Europeia

Entramos em 2020 e o Mundo de repente acordou para uma nova realidade, a que não estava habituado desde os grandes desastres humanitarios das duas grandes guerras.

Uma crise sanitaria para a qual aparentemente não estava preparado, e cujas consequências economicas são equivalentes às crises de 1929, 1973 e 2008.

As modificações climaticas, as fracturas sociais e as idiologias de ocasião passam para segundo plano nas preocupações da imprensa e dos politicos, e são as insuficiências da governação e do Estado em geral junto com o pânico do desemprego maciço que passam para primeiro plano do debate politico-social.

Há razões para alarme ? Penso que não ! A ciência hoje esta muito melhor equipada que em anteriores crises sanitarias e os mecanismos de resposta economica existem e não há falta de liquidez no sistema monetario internacional, pesem embora algumas preocupações sobre a duração da recuperação economica mundial.

Esta crise mostrou todavia varias realidades : a) a globalização existe e esta para durar, mas deve ser repensada, b) a Saude dos povos é essencial para garantir que o sistema economico funcione e a qualidade de vida destes seja garantida, e c) a Europa ainda não esta politica, economica e institucionalmente preparada para responder cabalmente a uma crise mundial para defender os seus interesses enquanto colectivo.

As crises sempre foram na historia ocasiões unicas para avançar, para dar os passos que é preciso dar para garantir os valores democraticos, sociais e economicos que defendemos, olhando para as deficiências e para os meios insuficientes que ainda dispomos para defender estes valores, epara os quais nos comprometemos no Tratado de constituição da União Europeia.

A UE ainda não tem uma politica comunitária de Saúde mas devia ter, para que fossem garantidos os meios materiais necessarios a todos os cidadãos europeus, a solidariedade devida entre Estados e a investigação cientifica e tecnologica partilhada e de uma forma sistematica. Com um caderno de encargos (check-list) obrigatorio para todos. Não é admissivel que num periodo destes faltem materiais essenciais como mascaras, ventiladores, testes e camas de cuidados intensivos. E que ainda por cima tenhamos que os solicitar à industria chinesa, provavelmente com tecnologia europeia expatriada. Este é apenas um exemplo do que há a fazer.

Devemos, nós europeus, passado este periodo doloroso de consequências humanas e economicas e sociais ainda incomensuraveis, repensar a Europa :

  • Recriar o espirito de solidariedade e compromisso entre os povos europeus, que fez da Europa um oasis de Paz nos ultimos 60 anos. Repensando o papel e a representatividade das Instituições e concentrar-se nas politicas essenciais para a sobrevivência e espledôr da Europa.
  • Dotá-la de uma politica de Investigação comum em certos sectores estratégicos, como jà existe hoje no aérospatial, designadamente no sector Saúde, harmonisando métodos e mutualisando meios materiais
  • Dotá-la de uma politica de coesão com meios consideraveis, para ser possivel responder aos desafios da pobreza ainda existente e ao subdesenvolvimento de certas regiões, completando finalmente o mercado interno.
  • Dotá-la de uma politica economica e orçamental coordenada efectivamente, acompanhada da tão almejada harmonisação fiscal. E incluindo uma estratégia industrial europeia partilhada de sectores estratégicos (ex do aérospatial e de Airbus), dando ao Banco Europeu de Investimento um papel de motor da nova industria europeia e na renovação das infraestruturas de base.
  • Dotá-la de uma politica externa consequente, que previligie o interesse europeu aos nacionais, que inclua entre outras uma politica de imigração economica controlada, planificada e não consentida ; uma politica de defesa consequente de meios com particular relevo no apoio às fronteiras externas da União e à capacidade de defender os interesses europeus em qualquer parte do mundo ; e uma politica comercial com outros continentes aberta mas respeituosa dos interesses da economia europeia.

Juntos e com cabeça fria, como no passado, obviamente venceremos!