Mobilidade continua a ser o elo prioritário
Artigo de Opinião de Emídio Sousa, Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e Presidente da Comissão de Economia do Eixo Atlântico
Fui convidado a estar presente na cerimónia de apresentação e anúncio da nova Linha de Alta Velocidade entre Porto e Lisboa que juntou na estação de Campanhã o Primeiro-Ministro António Costa, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e alguns dos autarcas da região.
Não sei se o anúncio da linha de TGV Porto - Lisboa tem um número de vezes inferior, igual ao superior ao do anúncio do novo aeroporto de Lisboa. Não sei quem tem esse recorde, nem isso agora interessa. O importante é que, nas palavras do Primeiro-Ministro e do ministro Pedro Nuno Santos, agora é que é. Espero que sim, e ficarei muito contente se, nos planos do Governo, esta infraestrutura ferroviária se realizar até 2030 e a cidade do Porto passar a ficar a apenas 1h15 minutos da capital Lisboa. Nesta cerimónia foi ainda revelados outros aspetos deste investimento público na ferrovia, nomeadamente a questão das novas pontes sobre o Douro, a ligação Gaia ao aeroporto Sá Carneiro em 12 minutos e a ligação em alta velocidade entre o Porto e Vigo em menos de 1 hora.
Estes projetos interessam-nos muito diretamente a nós Eixo Atlântico. Estou aliás convencido de que as ligações entre a Região Norte e a Galiza são prioritárias para o nosso tecido económico e industrial.
O intercâmbio social, turístico, cultural e económico entre o Norte e a Galiza será a curto e médio prazo mais importante que as ligações a Lisboa e a Sul de Portugal. Por isso, temos de estar todos atentos ao evoluir deste projeto.
Os autarcas que compõem o Eixo Atlântico devem ser envolvidos nas reuniões, negociações, opções e decisões que, a partir de agora, terão lugar para reforçar as sinergias entre o Norte de Portugal e o norte de Espanha.
Como presidente da Comissão de Economia do Eixo Atlântico, estou cada vez mais empenhado em usar a minha voz para ajudar a avançar com a maior rapidez possível esta infraestrutura decisiva para potenciar as dinâmicas económicas das duas regiões, para ajudar as empresas nortenhas e galegas e aumentar a qualidade de vida das populações de ambas as regiões.
Há mais de 5 anos, quando assumi a liderança da Área Metropolitana do Porto, tinha bem a noção que as questões da mobilidade seriam prioritárias nas 2 grandes áreas metropolitanas, de Lisboa e do Porto, para garantir a qualidade de vida das pessoas e das famílias, o robustecimento da economia e a defesa da dinâmica das empresas, criadoras de riqueza e de emprego.
Por isso, propus de imediato à Ordem dos Engenheiros a elaboração de um Plano de Mobilidade e Transportes para a Região Norte, algo que classifiquei como urgente. À data, defendi que precisamos de planear e pensar a mobilidade, nomeadamente como retirar o automóvel do centro das nossas cidades. Como hoje, considerava as questões da mobilidade como fundamentais, alertando para a necessidade desses investimentos serem concertados com os vários agentes da Região: políticos, autárquicos, económicos, sociais. Lembro-me bem, numa sessão na Ordem dos Engenheiros da Região Norte, que me questionei como é que se constroem linhas de metro e se esquece a construção de parques de estacionamento; como se aumentam as faixas de rodagem das autoestradas e, depois, se portaja a CREP, com o resultado de continuar a ver uma VCI diariamente entupida. Por isso, sublinhei a necessidade do planeamento e da concertação. As minhas palavras de há 5 anos continuam atuais hoje.