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ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM PORTUGAL: As eleições não desejadas

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM PORTUGAL: As eleições não desejadas

Artigo de Opinião de José Maria Costa, ex-Presidente da CM Viana do Castelo

No próximo dia 30 de janeiro os portugueses vão às urnas para eleger os deputados da Assembleia da República, a constituição do novo governo e o novo primeiro-ministro, no meio de uma grande incerteza eleitoral visto cerca de 400 mil portugueses poderem estar confinados devido à pandemia.

Através dos debates realizados entre todas as forças políticas do espectro partidário português ficamos a saber que ninguém desejava estas eleições, mas o que é um facto é que elas estão aí, introduzindo uma crise política em cima de uma crise pandémica e económica.

A realização de eleições neste momento e a imprevisibilidade governativa que pode resultar da futura composição do parlamento são o tema de fundo dos analistas políticos pois a tendência das diferentes sondagens eleitorais parece indicar que não será provável uma maioria absoluta de nenhum dos partidos.

O secretário geral do Partido Socialista, António Costa, referiu nos debates que não se sente confortável em retomar a “geringonça” e que em caso de não ter maioria estável, ou seja maioria absoluta governará “à Guterres”, ou seja com acordos pontuais com todas as forças políticas do parlamento.

Este posicionamento do atual primeiro-ministro tem vindo a introduzir na pré campanha uma polarização das intenções de voto nos dois maiores partidos portugueses, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, desvitalizando os partidos quer `a esquerda quer à direita destes.

Portugal enfrenta uma crise pandémica associada a uma crise económica e social sem precedentes nestes últimos cem anos. Foi possível no primeiro semestre de 2020, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia desenhar um programa financeiro para apoiar as economias europeias, o Plano de Recuperação e Resiliência, que é uma oportunidade para o país efetuar investimentos estruturantes na economia, nos serviços públicos e nos grandes desafios da descarbonização e no digital.

Este é de facto um tempo em que é necessária uma convergência nacional em torno dos objetivos da retoma da economia e das apostas num desenvolvimento económico e social apostado na sustentabilidade. Por isso a estabilidade governativa é essencial para se prosseguirem as políticas públicas necessárias às transformações do país.

Os indicadores de opinião dos portugueses, apresentados pelas diversas sondagens, apontam a vontade dos portugueses em que destas eleições possa sair uma governação com acordos entre os dois maiores partidos garantindo desta forma que se concretizem nos próximos quatro anos as grandes reformas políticas e a boa execução financeira dos programas europeus PRR e Portugal 2030.

A governação política de Portugal no pós-eleições será assim um tema a acompanhar com muito interesse, pois será sem dúvida, o maior desafio para os líderes políticos nacionais conciliar a gestão política parlamentar com os enormes desafios estratégicos do país.