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ASSOLI, Mais um europeu convicto que nos deixa

ASSOLI, Mais um europeu convicto que nos deixa

Artigo de opinião de José Palma Andrés, ex-diretor de Cooperação territorial da Comisão Europeia

A melhor e mais completa homenagem que vi nos últimos dias a David, foram as palavras proferidas pelo Presidente do Conselho Italiano, Mario Draghi, no Parlamento Italiano no passado dia 11 de Janeiro. Por isso a transcrevo.

Esta mensagem representa eloquentemente não só o pensamento dos italianos, como também a meu ver o pensamento dos seus colegas Deputados europeus e de muitissimos cidadãos que o seguiram nos anos em que presidiu a instituição parlamentar europeia.

“As primeiras lembranças que vêm à mente de David Sassoli são, como outros lembraram, sua graça, humanidade, altruísmo. Mas também a paixão pela profissão jornalística, que o tornou um dos rostos mais conhecidos e amados entre todos os italianos.

O espírito cívico e a capacidade de escuta, que o guiaram no seu percurso político e o tornaram respeitado tanto pelos seus companheiros de partido como pelos seus opositores.

Mas, em nome do Governo e do meu pessoal, quero recordar Sassoli sobretudo como um italiano e um protagonista ao serviço da Europa, das suas instituições, dos seus cidadãos.

sassoli web
Como Presidente do Parlamento Europeu, a sua rara capacidade de combinar idealismo e mediação fez dele o protagonista de um dos períodos mais difíceis da história recente.

Uma voz atenta e autoritária, em defesa dos valores europeus e dos direitos dos mais fracos.

Em seus discursos, Sassoli desenhou sua Europa: representativa, efetiva, solidária.

Para Sassoli, as instituições europeias devem, antes de tudo, estar "próximas dos cidadãos" e progredir através do diálogo e do confronto.

E o Parlamento é o lugar para este diálogo, para este confronto. É no Parlamento que a Europa cresce e se fortalece.

E é no Parlamento que, novamente nas suas palavras, “democracia, multilateralismo, cooperação” são promovidos face à tentação do populismo e do autoritarismo. Especialmente durante uma crise sanitária e econômica como a que ainda vivemos.

Sassoli queria uma Europa capaz de alcançar resultados, mesmo imediatos.

Proteger os seus cidadãos, promover o seu bem-estar, ajudá-los a construir o seu futuro.

Sassoli nunca deixou de reivindicar os resultados alcançados nos últimos anos.

Do acordo do Brexit, às medidas ambiciosas de proteção do meio ambiente, à luta comum contra a pandemia; a criação do programa Next Generation EU e a elaboração dos Planos Nacionais de Recuperação e Resiliência.

“Um esforço de planeamento extraordinário” – definiu David – “que deve ser seguido de uma implementação muito cuidadosa, em conformidade com as prioridades que acordamos em conjunto”.

Para Sassoli, esses esforços devem ter como objetivo real a construção de uma Europa social, atenta às necessidades dos trabalhadores e dos mais fracos.

"O projeto europeu que queremos construir - disse - deve se concentrar no combate à pobreza e na redução das desigualdades, deve cuidar da dignidade das pessoas"

Como os migrantes que tentam chegar à Europa, e para os quais a União Europeia deve implementar políticas comuns, que não deixem os países fronteiriços sozinhos.

“Os valores que nos são caros não são indestrutíveis” - David Sassoli nos lembrou em um discurso recente. Em sua vida, David os guardou, defendeu, promoveu.

Agora cabe a todos nós continuar fazendo isso.”

De acordo com um comunicado de imprensa do PE, uma cerimónia em honra da sua memória terá lugar na segunda-feira, 17 de Janeiro, na abertura da sessão plenária em Estrasburgo, na presença do antigo eurodeputado e primeiro-ministro italiano Enrico Letta.

E conforme previsto no Regimento (artigo 20.º), a presidência interina será assegurada pelo primeiro vice-presidente do Parlamento nos dias que antecedem a eleição de um novo presidente. Tal como inicialmente previsto antes do súbito falecimento do Presidente Sassoli, a eleição do Presidente para a segunda metade do mandato terá lugar na terça-feira, 18 de Janeiro, durante o plenário de Estrasburgo.

Quem sera o novo Presidente(a) do Parlamento Europeu ?

O interino é assegurado pela primeira vice-presidente, a maltesa Roberta Metsola, que também é candidata do PPE (conservadores pró-europeus, maior partido do hemiciclo) à presidência. Metsola conta com o apoio dos outros dois grupos parlamentares que apoiam a Comissão Von der Leyen, S&D (socialistas) e RE (liberais e centristas), mas suas posições antiaborto já levaram os eleitos desses dois grupos a anunciar que não a apoiariam.

Mas, com a força dos sucessos eleitorais recentes, particularmente na Alemanha, o S&D tem se mostrado relutante em desistir de seu lugar como planeado. S&D e Renew, que não estão apresentando um candidato, ainda não finalizaram sua posição para a votação de 18 de janeiro. Os dois grupos continuaram suas discussões na quarta-feira com os outros partidos políticos e as audiências dos candidatos.

Além da senhora deputada Metsola e da senhora deputada Bah Kuhnke, dois outros candidatos à presidência do Parlamento já se tinham dado a conhecer: o nacionalista-conservador polaco Kosma Zlotowski (CRE) e o radical de esquerda espanhol Sira Rego (GUE/NGL), a priori sem hipóteses de sucesso. Em caso de vitória, Roberta Metsola seria, aos 42 anos, a presidente mais jovem da instituição e a terceira mulher nesse cargo, depois de Simone Veil e Nicole Fontaine.

Dia 18 de janeiro veremos qual sera o(a) novo(a) presidente do Parlamento.

Esperemos que o Parlamento continue na via dos objectivos traçados pelo Presidente Sassoli e que a Europa caminhe para instituições ainda mais democraticas, com o respeito e maior implicação dos seus cidadãos e escuta das suas ambições europeias.

JOSE PALMA ANDRES