União Europeia: 60 anos, 60 boas razões para celebrar
Artigo de opinião de Sofia Colares, Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal
No ano da celebração dos 60 anos dos Tratados de Roma pretendemos enumerar 60 das várias centenas de boas razões para nos orgulharmos do projeto europeu. Comecemos pela paz: a União Europeia (UE) constitui o período mais longo de paz na Europa: 70 anos. Apesar de a Europa ser tão diversa – a nível de culturas, tradições e línguas -, a integração europeia é antes de mais um projeto de paz; paz essa que queremos que seja prologada por muitos e bons anos. Além disto, o lema «Unida na diversidade» demonstra que a UE conseguiu criar uma identidade europeia por cima dessa mesma diversidade. Estamos unidos e temos símbolos comuns - a bandeira europeia, o dia da Europa (9 de maio) e o hino europeu -, que identificam essa mesma união na diversidade, já que a União Europeia não é um edifício em Bruxelas mas, sim, uma grande casa comum, da qual todos nós fazemos parte.
Atualmente a UE cobre o continente europeu de Lisboa a Helsínquia, de Dublin a Sófia, do Atlântico ao Mar Negro, do Mar do Norte e do mar Báltico ao mar Mediterrâneo. Inclui monarquias e repúblicas, países-membros da NATO e outros que não o são. A UE pode proteger os seus cidadãos, por exemplo, de ameaças externas ou das consequências da globalização, nos casos em que o Estado-Nação já não está em medida de o fazer. De momento, não há uma melhor alternativa para a cooperação europeia na UE. Com tantos desafios globais como os que vivemos atualmente, nenhum Estado-membro da UE, por si só, tem peso para afirmar e defender os nossos valores: tal só é possível em conjunto, dentro de uma sólida e verdadeira União Europeia. Por conseguinte, é evidente que a Europa tem de funcionar em união, de forma articulada, o que implica cooperação, diálogo, e muito trabalho conjunto.
Apesar de todos os diferendos e de todas as crises, os Estados-Membros devem ultrapassar as suas divergências e unir-se no seu próprio interesse. Muitos falam de uma crise existencial da UE no momento atual após o referendo britânico mas nada indica que a unidade europeia se desmorone. Devido à sua natureza insular, o Reino Unido sempre teve um estatuto especial na UE. Não se espera que muitos outros países sigam o seu exemplo. Na sequência da votação do Brexit, o apoio à União Europeia em países da UE com os Países Baixos ou a França, por exemplo, aumentou substancialmente. Destacamos, a este propósito, as muitas vantagens do mercado interno único, desde logo pela possibilidade de viajar livremente e pela influência política que exerce o bloco único de 27 países no mundo.
Apesar de tudo isto, é evidente que a UE continuará a modificar-se, não fosse a Europa um exemplo de mudança e de transformação democrática para todo o mundo. Juntos somos a maior economia do mundo, o principal parceiro comercial da China e dos EUA. Somos o maior doador de ajuda humanitária e investimos num futuro sustentável, no combate às alterações climáticas e na prevenção de conflitos. Temos, portanto, boas razões para nos orgulharmos do projeto europeu. Queiramos fazer parte dele, conhecê-lo mais, debatê-lo mais… Queiramos mais Europa, mais 60 anos de boas estórias de uma – ainda melhor – integração europeia.